quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Esses dias estava vendo tv enquanto minha mãe tomava banho, e gritei um "meodeosqueliiiindooo". Minha mãe perguntou se tinha passado algum homi bonito na tv, e respondi "não, era um fogão". Ela soltou um "ah".

Estava passeando por um site liiindo sobre casamentos agora e vi um bolo mara, dai gritei mais um dos meus "meodeosqueliiiiiindoooo". Será que eu estou pirando? Acho que minha mente está ficando condicionada demais a ver a beleza de fogões, fouets, bolos, cupcakes. Estou ficando condicionada a cozinha, e a amar tudo que existe nela. Estou cobiçando batedeiras, fogões, bowls de inox e coisas do tipo. Mas é que cozinhar é uma coisa tão maravilhosa, que acabo pensando só nisso. Acabo pensando em bolos, substituições e receitas. Acabo ficando mais feliz quando estou com uma colher na mão, mexendo um doce. Mais feliz talvez do que sentada esperando a comida chegar.

Acho que com qualquer assunto é assim, quanto mais você sabe, mais crítico fica. Com a culinária não poderia ser diferente. Eu hoje observo muito mais a decoração das coisas do que antes, antes eu comia sem reparar em nada. É uma sensação muito gostosa essa, de comer com todos os sentidos.

Enfim. Daqui a pouco eu vou estar tão pirada que vou gostar mais da batedeira do que das pessoas. Medonho. hahahahahaha.
"Senão é como amar uma mulher só linda
E daí?
Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão"
Samba da benção - Vinícius de Moraes/ Baden Powell
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Estou aos poucos descobrindo Vinícius. Desde sempre tive um preconceito gigantesco, que nasceu quando eu tinha uns 11 anos de idade. Explico: Li aquela frase "As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental", e achei um tremendo absurdo. Na minha mente de menininha feminista que se achava uó de feia, isso era ridículo de se dizer, soava machista e escroto. Hoje em dia procuro enxergar de outra maneira, e tento achar que ser bonita não é necessariamente o que sempre quis achar que fosse.

Minha mãe tem uma antologia poética dele, e li nessa mesma época, lá pelos 10/11 anos (embora tenha arriscado as primeiras leituras pouco depois de aprender a ler). Talvez eu fosse nova e revoltada demais pra compreender muitas coisas. Talvez eu ainda seja nova e revoltada demais pra compreender algumas. Porque acho que leitura (principalmente de poesia/poema/etcdotipo) sem compreensão não vale. De nada adianta ler o famigerado Soneto de fidelidade sem atenção, uma atenção que vá além do que está escrito, e que consiga enxergar além do clichê que todo mundo lê.

Sendo assim, eu demorei anos e mais anos pra começar a digerir Vinícius. Demorei anos pra respirar fundo e lê-lo além da figura machista que sempre representou na minha vida. O cara era bom mesmo, tem muita coisa bonita. Não o acho genial como a maior parte da população (que na realidade leu o famigerado soneto e o acha genial apenas por isso), mas acho válido e belo.

Meu maior problema com a maioria dos poetas/compositores/etc é essa capacidade de ser clichê, de falar o óbvio. E o que me irrita é a capacidade dos serumanos de achar isso lindo só porque tá rimando e soando bonitinho. E sendo assim tooooodo mundo paga um pau enorme pro tal "mas que seja infinito enquanto dure". Mas ninguém sabe explicar porque. Indo na contramão da massa, eu detesto esse papo de infinito enquanto dure. Não por falta de compreensão, mas pra mim a melhor frase sobre infinitude é a seguinte: Tudo que não é eterno, é eternamente inútil. Porque tudo que é bom é eterno de alguma maneira. Isso não significa durar literalmente pra sempre. Significa durar pra sempre de algum modo. E isso é bem diferente.

Enfim, ando curtindo Vinícius. Deixando os preconceitos pra trás e tentando enxergar a obra dele além. É meio zona sul-bossa-praia-loirinhasdebiquini demais pra mim, mas por enquanto tá descendo bem.

Nem prevejo indigestão.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Stuck in a moment

E eu fico achando que não estou fazendo o suficiente, porque na realidade não estou. Ando bastante preguiçosa e sem ânimo, e eu sei que é o clima do ambiente me contagiando. Parece que todo mundo ficou longe de repente. Parece que a vida ficou louca, e todos os amigos começaram a viver suas próprias vidas, separados, apenas dando notícia.

Isso tudo não é resultado de uma coisa só. É só a vida andando, e todo mundo tendo seu próprio mundo pra viver. Talvez eu tenha relutado demais em entender que isso aconteceria. Talvez a Puh ir embora tenha sido o primeiro sinal de que as coisas do modo que eram iam começar a desmoronar. E eu fico feliz com a vida, as oportunidades, as coisas pra fazer. Mas fico triste também, bem triste. Triste sem os encontros, as fofocas, sem as reuniões pra ficar sem fazer e as vezes sem falar nada. Talvez seja isso que estej me fazendo falta de certa maneira: A vida como ela era. Talvez eu não estivesse mesmo preparada pra "começar" a viver, pra correr atrás. Acho que nem sei correr atrás.

Daí junta isso tudo com os problemas em casa, a minha mãe pirando (o que, mesmo que eu tente e lute contra, acaba me afetando), o Tim perdendo o emprego, o Marinho repetindo de ano. Parece que final de ano nunca é bom pra nós (ao menos emprego o Tim conseguiu, mas o resto não tem jeito). As situações para as quais antes eu não ligava começam a me afetar.

Era infinitamente mais fácil encher a cara, dançar e rir de tudo. Fazer piada de tudo e achar que um dia as coisas iam entrar nos eixos por conta própria. Era mais fácil acreditar que nós todos ficaríamos juntos pra sempre, saindo juntos, compartilhando a vida e os acontecimentos. Mas chega uma hora em que isso tudo acaba, as vezes chega até uma hora em que isso tudo cansa. E agora eu me sinto longe, mas sei que não sou só eu: Todo mundo se afastou de alguma maneira, e o "grupo" não existe da maneira que existia. Juntar isso tudo me deixou meio perdida.

De repente eu me olho no espelho e não me reconheço. Cadê a menina boba, que ria e animava os outros? Cadê a menina que não ligava pro mundo, que dava a louca e se divertia? Cadê a menina sonhadora, que acreditava nas pessoas? Parece que ela evaporou com esses tempos bons.

Não é que não existam coisas boas agora. Existem sim coisas muito boas na minha vida. Mas pra mim parece que quando todas as áreas não estão boas, a felicidade em uma só me pesa, me deixa triste por não estar tudo bem. Daí eu fico ríspida e ignorante, irritável. Eu fico num nível de tensão que eu não controlo. É que é difícil viver todo o tempo nesse clima "estou pisando em ovos", nessa coisa de fazer algumas coisas pra agradar, só pra tudo não ficar pior. Daí agora além de não ter a Puh pra conversar, eu também não tenho a minha mãe, porque ela surtou. Ela surtou e eu sei que se eu conversar qualquer coisa com ela, ela vai usar contra mim logo em seguida. E eu fico sem chão, porque eu não tenho com quem falar. Não, eu tenho sim, mas tem coisas pra se falar com cada pessoa. Coisas pro namorado, pra mãe, pro irmão, pras amigas. Eu tenho o irmão pra conversar, eu tenho o namorado, e eles são as únicas pessoas que fazem parte da minha vida de maneira boa nesse momento. E eu fico meio chateada, porque eu não quero colocar o peso de serem "meus únicos amigos próximos", porque esse tipo de peso detona qualquer tipo de relacionamento.

Daí eu fico pensando "ah, eu não vou desabar de chorar e pedir um abraço, eu preciso ser forte". Daí força pra mim é essa coisa de não dizer o que me incomoda na vida. Força pra mim é essa história de estar sempre sorrindo, mesmo quando grito e choro por dentro. Força é levantar a cabeça e andar, mesmo quando eu gostaria de estar dormindo. E nessa eu não descanço, eu não consigo dormir cedo nem acordar tarde. Eu ponho o celular pra despertar as 7 e meia, levanto as 8, depois de ter ido dormir as 4 da manhã. E eu fico que nem um zumbi cheio de olheiras, porque parece que dormir cedo é desperdício de tempo, e acordar tarde é vagabundagem. Eu não consigo relaxar porque eu tenho uma dívida a pagar, e mesmo sendo pro meu pai, isso me incomoda. Ninguém tem noção do quanto incomoda. Eu não consigo relaxar em relação a isso, e só vou conseguir pensar de novo em paz quando isso estiver quitado.

E então eu só queria que alguém não me falasse pra relaxar. Porque relaxar pra mim é sinônimo de fracasso. É sinônimo de desistência. Quando a gente relaxa, a gente desiste. E eu não aguentaria mais um fracasso. Por isso eu não posso simplesmente relaxar, abstrair e acreditar que tudo vai dar certo. Porque essa atitude foi a que eu tive a vida toda, e isso pra mim parece mesmo com desistir.

E agora eu tenho 21. Eu tenho 21 e me sinto nada no mundo. É difícil alguém lembrar que crescer não é a coisa mais feliz do mundo? É difícil alguém entender a minha sensibilidade em relação a essa merda toda e me dar um colo de vez em quando. Porque apesar de parecer que a minha vida é fácil, ela não é. Moro numa casa bonita onde não posso trazer meus amigos sem ter um estresse depois. Tenho telefone em casa e não posso telefonar. Tenho comida na geladeira e não posso comer. Tenho uma mãe que acha que coisas como chantagem e tortura psicológica são coisas normais no dia-a-dia. Recebo um dinheiro todo mês que passa longe de mim, a faculdade está atrasada horrores e eu não posso fazer nada pra consertar, porque não foi meu erro. E ela está no meu nome, logo, se der merda, quem se fode sou eu. Não tenho dinheiro pra ir até a esquina, tenho uma dívida pra pagar, um negócio pra fazer dar certo, comprei uma penca de vidros que não vedam e por isso já perdi um monte de dinheiro. É difícil entender que não é fácil?

Eu só queria conseguir relaxar um dia e dormir. Dormir sem medo. Dormir sem nervosismo, sem tensão. Dormir e levantar a hora que eu quiser. Eu só queria ter um dia inteiro de paz. Porque a minha cabeça está começando a não aguentar. Ela está começando a querer parar, e isso é sério. Eu esqueço o que estava falando no meio, eu quase não dou mais sorrisos sinceros, eu fico a beira das lágrimas durante o dia todo. Eu me sinto mal por dentro de uma maneira tão enorme que parece que não vai sarar nunca. E você que vai ler esse texto (porque só você vem aqui, e isso me dá mais paz de escrever), saiba que os momentos em que estou com você, LONGE da minha casa, são aqueles em que me sinto melhor. São aqueles em que eu chego mais próxima de me sentir em paz de novo.

E sim, isso foi um desabafo enorme e sem noção. Eu fui pensando e escrevendo, as coisas foram saindo sem controle. Mas desabafar é bom as vezes. Eu não conseguiria expressar isso tudo falando, então escrevo. Porque talvez escrever seja mesmo o melhor remédio.

sábado, 26 de dezembro de 2009

"Procuro a solidão
Como o ar procura o chão
Como a chuva só desmancha
Pensamento sem razão
Procuro esconderijo
Encontro um novo abrigo
Como a arte do seu jeito
E tudo faz sentido
Calma pra contar nos dedos
Beijo pra ficar aqui
Teto para desabar
Você para construir"

Ana Cañas - Esconderijo
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Nhá. Nhá, nhá e nhá.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Amanheci

Terminei o dia de ontem e comecei o de hoje fazendo uma das coisas que maaaaais gosto de fazer: Cozinhando.

Adiantei a maior parte da ceia de natal, e agora espero apenas que as carolinas que estão no forno terminem de assar, para que eu possa ir dormir. Estou cansada, com os pés doendo e morrendo de sono, mas ainda assim feliz. Estar na cozinha me deixa contente, eu crio minha própria correria e fico lá curtindo o calor, fazendo várias coisas ao mesmo tempo.

As vezes a receita é trabalhosa e durante algum tempo da execução você duvida que aquilo vá realmente dá certo. Mas quando chega o final e você vê o resultado, nada supera a felicidade que dá. E a felicidade cresce quando as pessoas finalmente provam o que você fez, e ela vai ao extremo quando alguém elogia.

Não sei se estavam certos quando diziam que lugar de mulher é na cozinha. A única coisa que eu sei é que o meu lugar definitivamente é lá.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Vagando por blogs alheios, achei o melhor conselho que poderia ler na vida: "tá triste? então fica bonita."

Isso é totalmente genial, e só por causa disso eu vou levantar a bunda da cadeira, tomar um banho e ficar bonita. Ou ao menos apresentável.

Vontade louca de botar uma roupinha marota, sentar no primeiro bar que ver pela frente e fazer como nos velhos tempos: Tomar um belo e elegante porre de whisky, conhaque, fogo paulista e vodka. Não, não juntos, separados, um por um. Depois levantar e sair vagando pela rua, sem pensar na hora. Ver o sol nascer em algum lugar bonito (ou feio, tanto faz). Ver o sol nascer naquele prédio que é alguma coisa do governo e eu nunca lembro o nome, mas é antigo e ainda assim espelhado, e fica laranja com o sol nascendo. Ver o sol nascer na praça xv. Ver o sol nascer com tudo girando, um cigarro na mão e os pensamentos martelando a cabeça, anunciando a dor de cabeça futura. Até com vontade de ressaca eu estou.

A diferença é que eu não queria bar e porre elegante sozinha. Eu queria bar e porre elegante com ele, só com ele do lado. É, eu amo mesmo. E eu sei que amo porque nesse momento, em que minha cabeça tende a solidão, eu gostaria imensamente de estar com ele.

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O conselho lá do início saiu daqui ó: http://semgelo.zip.net/
Oh yeah.
Alright.
Are you gonna be in my dreams
Tonight?

Love you. Love you. Love you. Love you.
Love you. Love you. Love you. Love you.
Love you. Love you. Love you. Love you.
Love you. Love you. Love you. Love you.
Love you. Love you. Love you. Love you.
Love you. Love you. Love you. Love you.

And in the end,
The love you take
Is equal to
The love you make.
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Quero voltar pra sexta feira, comofas//