Eu nunca fui o primeiro amor de alguém. Fico imaginando como deve ser, ser amada por uma pessoa que nunca amou antes. Não digo num sentido infantil do tipo amor de escola, mas amor de verdade. Aquele amor que a gente sente consciente, que a gente sabe que é amor e não só paixonite de adolescência. Eu já fui a primeira namorada, mas nunca fui o primeiro amor. Tem sempre alguém antes de mim. E são sempre os mesmos perfis de meninas, e como caras são idiotas, eu sempre sei que eles continuam sentindo alguma coisa. Me dá um apertinho no coração toda vez, porque parece sempre que eu nunca vou ser a mais amada, sem nenhum medo ou tensão por parte da pessoa.
Eu já fui cruel. Muito cruel. Meu ex namorado ficou com a ex namorada com 1 semana de namoro comigo. E teve a cara de pau de dizer que serviu pra ver que me amava (que espécie de desculpa idiota é essa? Imagina se precisássemos ficar com ex pra saber se amamos ou não o atual? comofas//). E teve mais cara de pau ainda de só me contar quase 6 meses depois. E ainda quis que eu entendesse. Eu continuei com ele, mas em toda oportunidade pisava nisso. Foi cruel e o levou pra bem fundo do poço. Eu só não percebi que fui junto. O ponto aqui não é minha crueldade ou a dele. É a existência da ex. A existência do comodismo, que faz com a gente sinta ser natural beijar alguém que beijamos por muito tempo. Na maioria dos relacionamentos longos, não existe amor, existe comodismo. Isso me irrita profundamente, porque eu não aceito a vida assim. Deve ser por ser assim que eu nunca fui o primeiro amor de ninguém (porque na realidade não são amores, são a junção de comodismo/carência/medo de ficarem sozinhos).
Talvez eu não tenha mesmo nascido pra primeiro amor. Talvez eu não seja banal o suficiente pra ser o primeiro amor de alguém. Mas dói assim mesmo esse eterno medo do retorno do passado, que faz com que eu me sinta muito insegura. E talvez seja bobeira achar que não havendo amor no passado seria diferente, e que eu me sentiria mais segura. Talvez não fizesse mesmo diferença, caso a minha segurança fosse um pouquinho maior. Só sei que queria saber como é.
Mas no mais, eu sempre fui aquela que colocava o cara pra cima e mudava tudo. Que levava um pouquinho de loucura e impulsividade pra vida alheia. É. Melhor pensar que não preciso ser o primeiro amor. Eu normalmente sou o amor definitivo.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Chinelos
Não é que eu não ligue mais pra estar bonita, pra me sentir bonita. Não é que, de repente, eu não goste mais dos velhos all stars e dos coturnos. Não é que eles não caibam mais nos meus pés. Mas de repente andar de chinelos reflete muito mais a maneira como me sinto. Eu quero conforto. Eu quero sentir o vento batendo nos meus pés, andar sem pressa, entender e querer cada passo. Eu quero poder mover meus dedos sem limite de espaço. Quero chegar em casa sem ter os pés cansados e abafados por qualquer outro tipo de calçado.
Saltos são pra quem precisa se afirmar. Pra quem precisa se sentir maior. Praquelas cujo poder não vem de dentro, e precisa ser expressado do lado de fora. Praquelas que precisam da aprovação masculina (ou feminina, vai saber...rs...) para o visual que resolvem usar. Saltos são para aquelas que de alguma maneira, mesmo que interior, não aceitam alguma coisa em si mesmas. Pois se aceitassem sinceramente, não precisariam de artifícios externos. Alguém pode virar e dizer "mas eu uso porque acho bonito". Sim, usa porque acha bonito, mas isso não faz com que seja menos doloroso, ou com que a vontade de tirá-los no final do dia seja menor.
Coturnos são pros que gostam de causar impacto. De alguma maneira, por mais moda ou usual que isso possa se tornar, coturnos vão sempre causar impacto, principalmente quando usados por mulheres. Eu sempre gostei de causar impacto. Nunca fui exagerada ou sem noção, e nunca precisei de escândalos pra isso, mas gostava sim de ser notada assim que chegava. Não por beleza, mas por exotismo. Por ser diferente, impactante, por ter a palavra "impulsiva" estampada na minha testa e nos meus modos, ainda que discretos.
Tênis são confortáveis, muito confortáveis. Você pode andar por tempos e chegar em casa com os pés ainda inteiros. Inteiros, porém abafados. Seus pés chegam em casa querendo a liberdade. E quando você finalmente os tira, os pézinhos respiram aliviados, seja pisando descalços no chão, seja no conforto de um chinelo.
E aqui chego ao ponto aonde queria chegar. Chinelos. De uns tempos pra cá virou moda sair de chinelos pela rua. As pessoas vão de chinelos a festas, a bares, baladas. Puro modismo, apenas tendência. Mas porque essa tendência persiste? Simples: Andar por aí de chinelos é extremamente confortável e libertador (ok, pra maioria é apenas moda...rs...). Pra mim andar de chinelo prova que não preciso de mais nada, nenhum artifício, indumentária ou calçado pra me fazer sentir mais poderosa e confiante. Finalmente ter coragem de sair na rua de chinelos me diz muito sobre mim mesma: Que hoje finalmente tenho a certeza de que sou foda o suficiente pra andar por aí até descalça, e nem por isso perder um alfinete que seja da minha personalidade.
Chinelos. Chinelos me fazem feliz. Me fazem feliz porque eu sou estonteante.
Saltos são pra quem precisa se afirmar. Pra quem precisa se sentir maior. Praquelas cujo poder não vem de dentro, e precisa ser expressado do lado de fora. Praquelas que precisam da aprovação masculina (ou feminina, vai saber...rs...) para o visual que resolvem usar. Saltos são para aquelas que de alguma maneira, mesmo que interior, não aceitam alguma coisa em si mesmas. Pois se aceitassem sinceramente, não precisariam de artifícios externos. Alguém pode virar e dizer "mas eu uso porque acho bonito". Sim, usa porque acha bonito, mas isso não faz com que seja menos doloroso, ou com que a vontade de tirá-los no final do dia seja menor.
Coturnos são pros que gostam de causar impacto. De alguma maneira, por mais moda ou usual que isso possa se tornar, coturnos vão sempre causar impacto, principalmente quando usados por mulheres. Eu sempre gostei de causar impacto. Nunca fui exagerada ou sem noção, e nunca precisei de escândalos pra isso, mas gostava sim de ser notada assim que chegava. Não por beleza, mas por exotismo. Por ser diferente, impactante, por ter a palavra "impulsiva" estampada na minha testa e nos meus modos, ainda que discretos.
Tênis são confortáveis, muito confortáveis. Você pode andar por tempos e chegar em casa com os pés ainda inteiros. Inteiros, porém abafados. Seus pés chegam em casa querendo a liberdade. E quando você finalmente os tira, os pézinhos respiram aliviados, seja pisando descalços no chão, seja no conforto de um chinelo.
E aqui chego ao ponto aonde queria chegar. Chinelos. De uns tempos pra cá virou moda sair de chinelos pela rua. As pessoas vão de chinelos a festas, a bares, baladas. Puro modismo, apenas tendência. Mas porque essa tendência persiste? Simples: Andar por aí de chinelos é extremamente confortável e libertador (ok, pra maioria é apenas moda...rs...). Pra mim andar de chinelo prova que não preciso de mais nada, nenhum artifício, indumentária ou calçado pra me fazer sentir mais poderosa e confiante. Finalmente ter coragem de sair na rua de chinelos me diz muito sobre mim mesma: Que hoje finalmente tenho a certeza de que sou foda o suficiente pra andar por aí até descalça, e nem por isso perder um alfinete que seja da minha personalidade.
Chinelos. Chinelos me fazem feliz. Me fazem feliz porque eu sou estonteante.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
As coisas só aparecem...
...quando não precisamos mais delas.
Estou eu aqui, feliz e tranquila, quando a tiazinha legal da Siciliano me liga pra chamar pra uma entrevista. Eu rodei TODAS as livrarias, deixei trocentos curriculos. Daí agora, com tudo no esquema pra eu montar minha própria coisa, eles me ligam?
Se Deus existe, ele sofre de uma falta de senso extrema. Pra alguém onisciente, onipresente e onipotente, ele anda meio defasado.
Estou eu aqui, feliz e tranquila, quando a tiazinha legal da Siciliano me liga pra chamar pra uma entrevista. Eu rodei TODAS as livrarias, deixei trocentos curriculos. Daí agora, com tudo no esquema pra eu montar minha própria coisa, eles me ligam?
Se Deus existe, ele sofre de uma falta de senso extrema. Pra alguém onisciente, onipresente e onipotente, ele anda meio defasado.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Quero uma casinha branca com varanda, que tenha janelas e portas azul colonial, com pé direito bem alto, com sofás coloridos, com poltronas, com arranjos de flores, com cheiro de café sempre no ar. Com corredor comprido, com cozinha grande, com panelas penduradas, com colheres de pau enormes, com cheiro de doce, com frutas, com legumes, com ovos daqueles enormes que a gente não acha no mercado. Quero plantar, colher, correr, comer, deitar na grama e olhar o céu. Quero céu azul. E vento. E chuva até, pra ver tudo crescer mais viçoso e bonito. Quero um sino na varanda, e lanternas coloridas no quintal. Quero amigos e almoços e família. E fogueiras, e festas e histórias.
Eu olho agora e ainda quero tudo que eu queria a trocentos tempos, mas sei lá, eu quero ainda mais. Eu quero terminar jogando dominó na varanda, com os amigos por lá, lembrando de todas as histórias. Como a gente combinava, sentados no chão do corredor da escola, no auge do terceiro ano. De lá pra cá mudou tanta coisa, tanta. Mas a vontade da varanda continua a mesma. Acho que a diferença é que a cada ano que passa ela tem que ficar maior na nossa imaginação, pra abrigar quem vem chegando.
Mas tudo bem, porque é bom. Bom demais.
Eu olho agora e ainda quero tudo que eu queria a trocentos tempos, mas sei lá, eu quero ainda mais. Eu quero terminar jogando dominó na varanda, com os amigos por lá, lembrando de todas as histórias. Como a gente combinava, sentados no chão do corredor da escola, no auge do terceiro ano. De lá pra cá mudou tanta coisa, tanta. Mas a vontade da varanda continua a mesma. Acho que a diferença é que a cada ano que passa ela tem que ficar maior na nossa imaginação, pra abrigar quem vem chegando.
Mas tudo bem, porque é bom. Bom demais.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
C'e' gente che ama mille cose
e si perde per le strade del mondo.
Io che amo solo te,
io mi fermerò
e ti regalerò
quel che resta
della mia gioventù
---
Há gente que ama mil coisas
e se perde pelas estradas do mundo.
Eu que amo somente você,
eu pararei
e lhe doarei
o que resta
da minha juventude.
----------
Só porque eu poderia passar o resto do meu tempo ouvindo você falar sobre linux, card games e hackers, sem nem reparar que ele estava passando. Acho que isso deve mesmo significar que eu te amo...rs...
e si perde per le strade del mondo.
Io che amo solo te,
io mi fermerò
e ti regalerò
quel che resta
della mia gioventù
---
Há gente que ama mil coisas
e se perde pelas estradas do mundo.
Eu que amo somente você,
eu pararei
e lhe doarei
o que resta
da minha juventude.
----------
Só porque eu poderia passar o resto do meu tempo ouvindo você falar sobre linux, card games e hackers, sem nem reparar que ele estava passando. Acho que isso deve mesmo significar que eu te amo...rs...
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Meu ano novo.
Vem chegando o meu ano novo. Vou fazer aniversário, e acredito sinceramente que o "ano novo" de cada pessoa vem nessa data: Estamos um ano mais velhos, e por isso podemos fazer um balanço do nosso ano que passou.
Fico pensando onde eu estava no aniversário do ano passado, o que eu fiz e como me sentia. Eu me sentia um lixo. Minha vó tinha acabado de morrer, eu estava gorda feito uma porca, fazendo uma faculdade que eu odiava e com um relacionamento totalmente falido. Eu estava no fundo, sem vontade de acordar, de dormir, de estudar, de falar. Sem vontade de fazer nada.
Olho pra trás nesse ano que passou, e não consigo não pensar em tudo que mudou. Eu não canso de pensar em todas as mudanças. No final do ano passado coloquei na cabeça todas as metas que tinha pra esse ano. Eu pensei em tudo que não gostava e que precisava ser mudado.
As mudanças foram ocorrendo aos poucos. Depois de tanto tempo mal, eu sabia que não podia correr. Eu precisava respeitar meu tempo e o tempo da vida. Primeiro me livrei do relacionamento. Um fim que me deu mais alívio do que dor. Hoje sei que a dor era apenas o medo de nunca mais me apaixonar. O medo de nunca mais ser amada. O medo do mundo, que àquela altura já era totalmente desconhecido pra mim. Entre idas e vindas foram 2 anos em que, mesmo quando eu não estava oficialmente namorando, eu estava com aquela pessoa, eu não conseguia deixar pra trás e seguir em frente. Pois bem, um dia eu percebi que não era amor, era apenas conveniência e medo. Era apenas o desejo de ter alguém, porque o amor já tinha ido embora a muito tempo. Eu na realidade não fui amada, era uma obsessão dolorosa e persistente, que mais me magoava e deprimia do que fazia feliz. A felicidade morava na lembrança do que já tinha sido bom e só.
O segundo passo foi a faculdade. Com muita coragem eu resolvi dizer o que pensava. Eu resolvi que não ia continuar numa coisa que me fazia tão mal. Eu já não suportava mais. Parece bobagem, mas era uma coisa realmente importante, que me detonava e não me permitia ser feliz mesmo nas horas de lazer. Eu não conseguia mais me concentrar em nada, e tudo era motivo pra chorar. Quando eu finalmente tranquei a matrícula, um peso enorme foi tirado das minhas costas: Eu finalmente ia voltar a fazer algo que gostava, voltar a ter prazer com os estudos. Foi difícil demais me livrar da sensação de fracasso, ignorar o que as outras pessoas poderiam dizer. Mas eu me livrei, e aqui estou eu feliz: Uma das melhores alunas da turma, com o interesse sempre em alta.
O terceiro passo foi mudar minhas atitudes em relação as pessoas ao redor. Reconquistar a minha família que tanto se afastou de mim por causa das minhas atitudes, todas geradas pela merdadenamoroqueeutinha. Foi um caminho difícil, recuperar a confiança das pessoas é sempre difícil. Também fiz novos amigos, saí, conheci pessoas, conheci lugares. Fui a shows, exposições, maratonas de cinema, baladas. Eu recuperei a pessoa que eu era antes, expansiva, engraçada e feliz. Não esqueci os amigos que eu tinha (os quais também tive que reconquistar), e mesmo conhecendo uma porção de gente nova, sempre tinha tempo pra eles (o que no final foi ÓTIMO, uma vez que Puh foi embora. Aproveitamos MUITO o tempo desse ano que ela esteve aqui).
O quarto passo teve relação com o terceiro, e também envolvia atitudes em relação a pessoas. Mas esse passo envolvia ser honesta comigo e com os outros, e não me enrolar pela falta de coragem pra ser sincera. Sempre fui craque em fazer isso. Como sempre me senti o patinho feio, rejeitada pelos garotos, tive durante toda a vida muita dificuldade pra dispensar pessoas. Talvez pelo meu jeito bocó, receptivo e simpático com todo mundo, muitos meninos acabam confundindo as coisas. Normalmente nerds rejeitados. Pois bem, antes eu não conseguia dizer não, e mesmo sabendo que era errado, acabava ficando com essas pessoas (não com todo mundo, óbvio..HAHAHAHAH..só com aqueles que aparentavam gostar REALMENTE de mim), e depois namorava e quando via estava afundando, só com a cabeça do lado de fora. Pessoas que eu na realidade nunca gostei, e é horrível dizer, mas fiquei por pena e só. Não pena, mas a sensação de que estava fazendo algo bom, fazendo alguém que se sentia rejeitado se sentir feliz e querido. Mas eu não sou madre Tereza, e isso é feio. Feio e na realidade cruel. Bem pior do que dar um fora.
Pois bem, esse ano coloquei na cabeça que tinha que melhorar esse aspecto. Coloquei na cabeça que estava sendo melhor com as pessoas se simplesmente deixasse tudo bem claro, porque mesmo que seja dolorosa no início, a verdade é SEMPRE melhor a longo prazo. Tive minha prova de fogo: Um menino gostou de mim, foi sincero, falou. Era um menino que tinha passado por um MONTE de problemas, e tinha muitos problemas com auto-estima e coisas relacionadas. Respirei fundo e fui extremamente franca. Eu não ficaria com ele, não fiquei, fui sincera e quando desliguei o telefone senti um alívio imenso, por não ter dado esperanças a uma pessoa bacana, que não merecia que eu tivesse feito isso. Me senti melhor ali, e percebi que realmente tinha conseguido me tornar uma pessoa melhor. Não que eu fosse má antes, eu não fazia por mal ou pra me aproveitar de quem possivelmente gostasse de mim. Eu me sentia realmente mal por rejeitar alguém. Isso é triste, e esse ano finalmente aprendi minha lição sobre o assunto.
O quinto passo foi dar um tempo com qualquer tipo de relacionamento amoroso. Coloquei na cabeça que, depois de tudo que tinha passado, qualquer coisa que eu começasse daria errado, pela carga que eu traria da coisa anterior. Coloquei na cabeça que o melhor era ficar "sozinha", e que meus amigos tinham muito mais a oferecer no momento do que qualquer namoro que eu pudesse arrumar. Desde meu primeiro namorado, com 14 anos, eu emendei todos os outros. Pouquíssimo tempo de pausa entre eles, e isso foi saturando a minha capacidade de discernimento quanto a sentimentos. Isso foi detonando a minha paciência, meu jeito de ser, meu humor. Isso foi detonando tudo, e eu decidi que não seria mais assim. Eu nunca precisei de um namorado pra me sentir querida. Nunca precisei de namorados pra nada. Eu namorava pelo fato que já citei antes: Eu me sentia mal por rejeitar pessoas que realmente gostavam de mim. Mas decididamente, depois de tanto tempo, percebi que não vale nem um pouco a pena: É desgastante estar com pessoas que na realidade não se quer. Porque é preciso querer com todas as forças pra que dê certo. É preciso querer MESMO, ao menos pra mim, senão eu não funciono. E o que era pra ser algo supostamente bom pra pessoa acabava sendo terrível pra ela e pra mim. Eu aprendi a me colocar na frente, a pensar em mim sempre em primeiro lugar.
Pois bem. Assim eu fui. Hoje paro e analiso, e acho sinceramente que eu mereço o meu final de ano. Eu mereço porque enxerguei meus erros, eu me esforcei pra mudá-los, eu corri atrás. Eu mereço porque eu soube esperar por todas as coisas, eu não forcei barras, eu não me desesperei. Eu mereço, mereço muito. Eu mereço que meu namoro continue sendo lindo como é agora. Eu mereço que meu negócio dê certo. Eu mereço ir bem na faculdade, porque finalmente entendi o sentido da palavra esforço.
Então, Dandara do futuro, quando você ler isso, se por um acaso você tenha voltado a cair nos seus velhos erros, entenda: Mudar é o sentido da vida. E se você conseguiu voltar atrás uma vez, e fazer tudo ser assim tão maravilhoso, consegue voltar e mudar de novo. Você sempre consegue. =)
Tralalá. Feliz ano novo pra mim!
Fico pensando onde eu estava no aniversário do ano passado, o que eu fiz e como me sentia. Eu me sentia um lixo. Minha vó tinha acabado de morrer, eu estava gorda feito uma porca, fazendo uma faculdade que eu odiava e com um relacionamento totalmente falido. Eu estava no fundo, sem vontade de acordar, de dormir, de estudar, de falar. Sem vontade de fazer nada.
Olho pra trás nesse ano que passou, e não consigo não pensar em tudo que mudou. Eu não canso de pensar em todas as mudanças. No final do ano passado coloquei na cabeça todas as metas que tinha pra esse ano. Eu pensei em tudo que não gostava e que precisava ser mudado.
As mudanças foram ocorrendo aos poucos. Depois de tanto tempo mal, eu sabia que não podia correr. Eu precisava respeitar meu tempo e o tempo da vida. Primeiro me livrei do relacionamento. Um fim que me deu mais alívio do que dor. Hoje sei que a dor era apenas o medo de nunca mais me apaixonar. O medo de nunca mais ser amada. O medo do mundo, que àquela altura já era totalmente desconhecido pra mim. Entre idas e vindas foram 2 anos em que, mesmo quando eu não estava oficialmente namorando, eu estava com aquela pessoa, eu não conseguia deixar pra trás e seguir em frente. Pois bem, um dia eu percebi que não era amor, era apenas conveniência e medo. Era apenas o desejo de ter alguém, porque o amor já tinha ido embora a muito tempo. Eu na realidade não fui amada, era uma obsessão dolorosa e persistente, que mais me magoava e deprimia do que fazia feliz. A felicidade morava na lembrança do que já tinha sido bom e só.
O segundo passo foi a faculdade. Com muita coragem eu resolvi dizer o que pensava. Eu resolvi que não ia continuar numa coisa que me fazia tão mal. Eu já não suportava mais. Parece bobagem, mas era uma coisa realmente importante, que me detonava e não me permitia ser feliz mesmo nas horas de lazer. Eu não conseguia mais me concentrar em nada, e tudo era motivo pra chorar. Quando eu finalmente tranquei a matrícula, um peso enorme foi tirado das minhas costas: Eu finalmente ia voltar a fazer algo que gostava, voltar a ter prazer com os estudos. Foi difícil demais me livrar da sensação de fracasso, ignorar o que as outras pessoas poderiam dizer. Mas eu me livrei, e aqui estou eu feliz: Uma das melhores alunas da turma, com o interesse sempre em alta.
O terceiro passo foi mudar minhas atitudes em relação as pessoas ao redor. Reconquistar a minha família que tanto se afastou de mim por causa das minhas atitudes, todas geradas pela merdadenamoroqueeutinha. Foi um caminho difícil, recuperar a confiança das pessoas é sempre difícil. Também fiz novos amigos, saí, conheci pessoas, conheci lugares. Fui a shows, exposições, maratonas de cinema, baladas. Eu recuperei a pessoa que eu era antes, expansiva, engraçada e feliz. Não esqueci os amigos que eu tinha (os quais também tive que reconquistar), e mesmo conhecendo uma porção de gente nova, sempre tinha tempo pra eles (o que no final foi ÓTIMO, uma vez que Puh foi embora. Aproveitamos MUITO o tempo desse ano que ela esteve aqui).
O quarto passo teve relação com o terceiro, e também envolvia atitudes em relação a pessoas. Mas esse passo envolvia ser honesta comigo e com os outros, e não me enrolar pela falta de coragem pra ser sincera. Sempre fui craque em fazer isso. Como sempre me senti o patinho feio, rejeitada pelos garotos, tive durante toda a vida muita dificuldade pra dispensar pessoas. Talvez pelo meu jeito bocó, receptivo e simpático com todo mundo, muitos meninos acabam confundindo as coisas. Normalmente nerds rejeitados. Pois bem, antes eu não conseguia dizer não, e mesmo sabendo que era errado, acabava ficando com essas pessoas (não com todo mundo, óbvio..HAHAHAHAH..só com aqueles que aparentavam gostar REALMENTE de mim), e depois namorava e quando via estava afundando, só com a cabeça do lado de fora. Pessoas que eu na realidade nunca gostei, e é horrível dizer, mas fiquei por pena e só. Não pena, mas a sensação de que estava fazendo algo bom, fazendo alguém que se sentia rejeitado se sentir feliz e querido. Mas eu não sou madre Tereza, e isso é feio. Feio e na realidade cruel. Bem pior do que dar um fora.
Pois bem, esse ano coloquei na cabeça que tinha que melhorar esse aspecto. Coloquei na cabeça que estava sendo melhor com as pessoas se simplesmente deixasse tudo bem claro, porque mesmo que seja dolorosa no início, a verdade é SEMPRE melhor a longo prazo. Tive minha prova de fogo: Um menino gostou de mim, foi sincero, falou. Era um menino que tinha passado por um MONTE de problemas, e tinha muitos problemas com auto-estima e coisas relacionadas. Respirei fundo e fui extremamente franca. Eu não ficaria com ele, não fiquei, fui sincera e quando desliguei o telefone senti um alívio imenso, por não ter dado esperanças a uma pessoa bacana, que não merecia que eu tivesse feito isso. Me senti melhor ali, e percebi que realmente tinha conseguido me tornar uma pessoa melhor. Não que eu fosse má antes, eu não fazia por mal ou pra me aproveitar de quem possivelmente gostasse de mim. Eu me sentia realmente mal por rejeitar alguém. Isso é triste, e esse ano finalmente aprendi minha lição sobre o assunto.
O quinto passo foi dar um tempo com qualquer tipo de relacionamento amoroso. Coloquei na cabeça que, depois de tudo que tinha passado, qualquer coisa que eu começasse daria errado, pela carga que eu traria da coisa anterior. Coloquei na cabeça que o melhor era ficar "sozinha", e que meus amigos tinham muito mais a oferecer no momento do que qualquer namoro que eu pudesse arrumar. Desde meu primeiro namorado, com 14 anos, eu emendei todos os outros. Pouquíssimo tempo de pausa entre eles, e isso foi saturando a minha capacidade de discernimento quanto a sentimentos. Isso foi detonando a minha paciência, meu jeito de ser, meu humor. Isso foi detonando tudo, e eu decidi que não seria mais assim. Eu nunca precisei de um namorado pra me sentir querida. Nunca precisei de namorados pra nada. Eu namorava pelo fato que já citei antes: Eu me sentia mal por rejeitar pessoas que realmente gostavam de mim. Mas decididamente, depois de tanto tempo, percebi que não vale nem um pouco a pena: É desgastante estar com pessoas que na realidade não se quer. Porque é preciso querer com todas as forças pra que dê certo. É preciso querer MESMO, ao menos pra mim, senão eu não funciono. E o que era pra ser algo supostamente bom pra pessoa acabava sendo terrível pra ela e pra mim. Eu aprendi a me colocar na frente, a pensar em mim sempre em primeiro lugar.
Pois bem. Assim eu fui. Hoje paro e analiso, e acho sinceramente que eu mereço o meu final de ano. Eu mereço porque enxerguei meus erros, eu me esforcei pra mudá-los, eu corri atrás. Eu mereço porque eu soube esperar por todas as coisas, eu não forcei barras, eu não me desesperei. Eu mereço, mereço muito. Eu mereço que meu namoro continue sendo lindo como é agora. Eu mereço que meu negócio dê certo. Eu mereço ir bem na faculdade, porque finalmente entendi o sentido da palavra esforço.
Então, Dandara do futuro, quando você ler isso, se por um acaso você tenha voltado a cair nos seus velhos erros, entenda: Mudar é o sentido da vida. E se você conseguiu voltar atrás uma vez, e fazer tudo ser assim tão maravilhoso, consegue voltar e mudar de novo. Você sempre consegue. =)
Tralalá. Feliz ano novo pra mim!
sexta-feira, 30 de outubro de 2009

As vezes fico pensando em qual é o meu maior talento. Penso muito nisso. Acho que todo mundo tem um talento realmente grande pra alguma coisa, seja ela qual for. Alguns tem talento pra projetar um prédio, outros pra construí-lo. Um não vive sem o outro, e isso me faz pensar que ambos mereciam ganhar o mesmo, independentemente do tempo que estudaram ou não pra fazer aquilo (mas isso é assunto pra outro post...rs...). Acho realmente que certos talentos são desvalorizados, como se a pessoa fosse menos por ser muito boa naquilo.
Enfim, voltando aos meus pensamentos. Tem dias em que acho que meu maior talento é escrever. Escrevo textos e mais textos em questão de minutos, tenho uma penca de idéias e sei exatamente como desenvovê-las para passar a mensagem que quero a quem vai ler. Em outros dias acho que meu talento é cozinhar, e passo o dia na cozinha, preparando coisas e inventando receitas. Algumas vezes, em compensação, tenho um bloqueio e não consigo nem escrever, nem cozinhar (o que acontece pouco, ainda bem: quando não estou bem pra uma coisa, sempre estou bem pra outra...hehehe).
Estava hoje na cozinha fazendo bolinhos de banana (maravilhosos por sinal, com cobertura de paçoca, de chocolate e de chocolate com paçoca *-*) quando pensei que meu maior talento não é uma coisa nem a outra. Sou boa em deixar as pessoas felizes. Alegrar alguém me deixa mais feliz do que qualquer outra coisa. Seja escrevendo algo que ela precisa ler ou cozinhando algo doce e gostoso pra animar seu dia. Meu maior talento é saber exatamente o que as pessoas precisam pra se sentirem queridas e aconchegadas. Eu nunca conseguiria viver distante das pessoas. Não sou do tipo que se isolaria com facilidade, definitivamente não consigo viver sem pessoas por perto.
Pensando ainda sobre coisas relacionadas a isso, percebi que sou uma pessoa bem família. Mesmo com todos os problemas ou discussões, eu não viveria sem eles. Eu amo minha família demais, assim como amo meus amigos, que considero a família que ganhei da vida. Eu não ligo pra status, não quero conhecer as pessoas influentes nem viver de badalação. E eu sei porque já vivi e não me disse nada. Tenho um amigo que adora conhecer "quem importa": Sempre sai das festas conhecendo o DJ, os organizadores e etc. Já andei bastante com ele, e por isso sei o quanto esse tipo de vida é vazio. No final da noite você chega em casa e não tem nada, não tem ninguém. Você chega em casa sendo exatamente o que era quando saiu, um anônimo pro mundo todo. Um anônimo que conhece quem faz, mas que no final não faz nada.
Sou infinitamente mais feliz sendo eu e vivendo minha vida. Taí, talvez meu talento seja esse. Talvez eu tenha talento pra ser eu mesma, pra ser feliz. No fundo acho que todo mundo tem, mas infelizmente a maioria das pessoas não descobre, ou quando descobre é tarde demais. Torço mesmo é pra que todo mundo descubra, se encontre e viva bem. Porque a felicidade que existe na capacidade de se assumir é indescritível.
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