Ontem eu sabia que a noite ia ser boa assim que tomei coragem no ônibus de fazer uma coisa que sempre quis. Eu estava lá, alguém estava com o som tão alto que nem meus fones no último volume abafavam. A música ruim que o cara ouvia atrapalhava a minha alegria. Eu estava feliz, voltando da aula inaugural do curso que quis tanto entrar, o dinheiro depois de dias finalmente estava na minha conta e encontraria meus amigos minutos depois. Porque estragar essa felicidade permitindo que o som alheio atrapalhasse minha diversão no ônibus? Não, eu não deixei. Eu comecei a cantar AOS BERROS uma música do Odair José. Cantei beatles, clube da esquina e o que mais tocou. Todo mundo olhou pra minha cara, um menino riu pra mim, tive uma crise de riso. Pronto, eu estava feliz de novo. Cantei até o cara desligar a música, ou seja, funcionou.
Chegando na freguesia, encontrei as pessoas, comi cachorro quente da vó Norma, fomos pro bar. É engraçado que íamos ao castelo ontem, e não ir acabou se tornando muito bom. Ter ido não seria tão divertido. Cheguei em casa e o dia estava quase clareando, eu estava bêbada e contente. Impressionante como estar com os amigos apaga qualquer sombra de tristeza, qualquer sombra de problema. Eu posso não ter dinheiro, me sentir perdida na vida as vezes e quase explodir de ódio, mas enquanto tiver amigos nada, NADA disso vai durar por muito tempo. E o melhor da minha vida, com toda certeza, é isso.
sábado, 16 de outubro de 2010
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Me sinto tão tensa, tão nervosa, que as vezes parece que minha pele vai soltar da carne, que meu estômago tomou vida própria e vai sair correndo por aí, gritando e pegando fogo. Não aguento mais me sentir assim. Não ligo pra dinheiro, mas a falta dele tem me feito mal. Não é uma falta de dinheiro pra comprar besteira, uma falta de dinheiro pra sair. É falta de dinheiro pra pagar contas, e isso me consome. Eu deveria poder contar com meu pai, mas não posso. Eu não posso porque ele não liga a mínima, e isso me dói mais do que a falta de dinheiro. Eu não posso contar com a minha mãe, porque ela tem ainda menos do que eu. Não posso contar com a sorte, porque acho que sorte é o tipo de coisa que ninguém deve contar. Estou chegando ao ponto de juntar trocados e apostar na mega-sena. Quase fiz isso hoje. Me controlei, porque não gasto dinheiro com esse tipo de coisa.
Eu as vezes deito na cama e fico olhando pro teto, pensando no que vem a seguir. Estou estudando e tentando chegar a algum lugar, mas aonde? Esses últimos anos me destruiram. Todo o mal que eu e meus irmãos passamos ela está passando agora. Não me sinto bem com isso, nem um pouco. Mas cada vez que ela desconta a raiva em mim por motivos idiotas, sinto vontade de dizer tudo que está engasgado. Sinto vontade de dizer que a culpa é toda dela e que se eu tivesse o mínimo de amor próprio não ajudaria em nada. Porque eu tento ajudar, de todas as maneiras. Eu dou tudo que tenho, mas nunca é suficiente. Com 21 anos eu sei o que é levantar e agir por conta própria, o que é assumir riscos e erros e seguir em frente. Mas, infelizmente, vivemos em um mundo em que o jovem supostamente sabe menos que os mais velhos. Como se idade fosse sinônimo de sabedoria, e não é. Enquanto uns ficam se lamuriando e outros ignoram eu fico aqui, no olho do furacão, tentando entender, tentando colaborar.
Eu deveria ignorar, pois isso me pouparia um bocado de estresse. Me pouparia um bocado de dinheiro e de preocupação. Eu não sei mais o que fazer, não tenho com quem falar, não sei pra onde ir. Eu estou perdida, e não quanto a minha vida. Estou perdida em questões pelas quais eu não deveria passar. Perdida em questões que nunca vivi. Fico imaginando se eu não tivesse trancado a faculdade, o tamanho da dívida que teria agora, infinitamente maior do que a que já tenho.
Eu ainda vou me ferrar mais nessa história, prevejo.
Mas é como dizem: A esperança é a última que morre.
Eu as vezes deito na cama e fico olhando pro teto, pensando no que vem a seguir. Estou estudando e tentando chegar a algum lugar, mas aonde? Esses últimos anos me destruiram. Todo o mal que eu e meus irmãos passamos ela está passando agora. Não me sinto bem com isso, nem um pouco. Mas cada vez que ela desconta a raiva em mim por motivos idiotas, sinto vontade de dizer tudo que está engasgado. Sinto vontade de dizer que a culpa é toda dela e que se eu tivesse o mínimo de amor próprio não ajudaria em nada. Porque eu tento ajudar, de todas as maneiras. Eu dou tudo que tenho, mas nunca é suficiente. Com 21 anos eu sei o que é levantar e agir por conta própria, o que é assumir riscos e erros e seguir em frente. Mas, infelizmente, vivemos em um mundo em que o jovem supostamente sabe menos que os mais velhos. Como se idade fosse sinônimo de sabedoria, e não é. Enquanto uns ficam se lamuriando e outros ignoram eu fico aqui, no olho do furacão, tentando entender, tentando colaborar.
Eu deveria ignorar, pois isso me pouparia um bocado de estresse. Me pouparia um bocado de dinheiro e de preocupação. Eu não sei mais o que fazer, não tenho com quem falar, não sei pra onde ir. Eu estou perdida, e não quanto a minha vida. Estou perdida em questões pelas quais eu não deveria passar. Perdida em questões que nunca vivi. Fico imaginando se eu não tivesse trancado a faculdade, o tamanho da dívida que teria agora, infinitamente maior do que a que já tenho.
Eu ainda vou me ferrar mais nessa história, prevejo.
Mas é como dizem: A esperança é a última que morre.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Saudade
Sinto saudade as vezes, de épocas que sei que não vão voltar. Sinto saudade toda vez que o presente não é satisfatório. Minha mente apaga sempre as coisas ruins de determinados momentos, e assim certos fatos se tornam melhores com o tempo. Melhores talvez do que eram quando aconteceram.
Eu entrei num sebo e a gente brincou de se empurrar. Eu joguei ele no chão, ele me puxou também. Ficamos rindo por alguns segundos antes de levantar. Ele comprou um livro sobre mitologia, e eu fiquei olhando as prateleiras. Adoro o cheiro de sebos, o cheiro de livros antigos. Acho que gosto até da poeira, por mais que me faça espirrar e emtupa meu nariz. É de um jeito que eu gosto. É uma forma de reviver lembranças.
A gente andou por entre as ruas por algumas horas. Eu comi um monte de besteiras e dividi um docinho de café. Eu quis morrer com algumas afirmações, mas disfarcei. Sempre fui boa em disfarçar. A gente tomou uma cerveja e era o fim. O fim da linha, do dia, de tudo. Era a lapa, as 5 e pouca da tarde, e essa amizade que eu sempre vou sentir falta.
Virei pra ele num momento do dia e disse "eu disse que um dia a gente não se conheceria mais, e você disse que nunca". Ele me respondeu um "mas como assim?" e riu. Estávamos ali afinal, como então não nos conhecíamos? Respondi: "As pessoas que somos hoje são totalmente diferentes das pessoas que éramos a alguns anos atrás. A gente mudou, nossa vida mudou. Quem está aqui agora são as pessoas que fomos, passeando pelo lugar onde costumávamos passear. Mas na vida de todo dia? A gente não cabe mais".
Me doeu dizer isso. Me doeu assim que saiu, mas é a verdade. Eu sinto saudade, não do relacionamento amoroso, mas da amizade que nunca mais terei igual. Sinto saudade do ouvido, da paciência, dos conselhos. Saudade de ter pra onde ir, pra quem ir, ter motivo pra ficar. De ter a casa da avó dele e aquele quarto pra passar a tarde deitada, ouvindo música e falando sobre a vida. A gente conversava em silêncio até, se entendia no olhar, no choro, no abraço. Se entendia nas brincadeiras, e eu me lembro dele toda vez que caminho pelo centro da cidade. Ninguém nunca vai entender um sentimento assim, porque ninguém nunca teve uma amizade como essa. Ou talvez alguém tenha tido, e tenha a capacidade de compreender, sei lá.
Só sei que sei que nunca mais terei. Nunca é muito tempo, mas essa é a realidade.
Eu sinto saudade. Sei que não há volta. Isso me dói. A melancolia sobre isso é o que me resta. A nostalgia não deveria, mas já me basta.
Eu entrei num sebo e a gente brincou de se empurrar. Eu joguei ele no chão, ele me puxou também. Ficamos rindo por alguns segundos antes de levantar. Ele comprou um livro sobre mitologia, e eu fiquei olhando as prateleiras. Adoro o cheiro de sebos, o cheiro de livros antigos. Acho que gosto até da poeira, por mais que me faça espirrar e emtupa meu nariz. É de um jeito que eu gosto. É uma forma de reviver lembranças.
A gente andou por entre as ruas por algumas horas. Eu comi um monte de besteiras e dividi um docinho de café. Eu quis morrer com algumas afirmações, mas disfarcei. Sempre fui boa em disfarçar. A gente tomou uma cerveja e era o fim. O fim da linha, do dia, de tudo. Era a lapa, as 5 e pouca da tarde, e essa amizade que eu sempre vou sentir falta.
Virei pra ele num momento do dia e disse "eu disse que um dia a gente não se conheceria mais, e você disse que nunca". Ele me respondeu um "mas como assim?" e riu. Estávamos ali afinal, como então não nos conhecíamos? Respondi: "As pessoas que somos hoje são totalmente diferentes das pessoas que éramos a alguns anos atrás. A gente mudou, nossa vida mudou. Quem está aqui agora são as pessoas que fomos, passeando pelo lugar onde costumávamos passear. Mas na vida de todo dia? A gente não cabe mais".
Me doeu dizer isso. Me doeu assim que saiu, mas é a verdade. Eu sinto saudade, não do relacionamento amoroso, mas da amizade que nunca mais terei igual. Sinto saudade do ouvido, da paciência, dos conselhos. Saudade de ter pra onde ir, pra quem ir, ter motivo pra ficar. De ter a casa da avó dele e aquele quarto pra passar a tarde deitada, ouvindo música e falando sobre a vida. A gente conversava em silêncio até, se entendia no olhar, no choro, no abraço. Se entendia nas brincadeiras, e eu me lembro dele toda vez que caminho pelo centro da cidade. Ninguém nunca vai entender um sentimento assim, porque ninguém nunca teve uma amizade como essa. Ou talvez alguém tenha tido, e tenha a capacidade de compreender, sei lá.
Só sei que sei que nunca mais terei. Nunca é muito tempo, mas essa é a realidade.
Eu sinto saudade. Sei que não há volta. Isso me dói. A melancolia sobre isso é o que me resta. A nostalgia não deveria, mas já me basta.
sábado, 2 de outubro de 2010
Vitamina bem batida das últimas semanas
Eu sou. Talvez sempre tenha sido, e só tenha deixado por vezes de ser quando deixei de me permitir. Eu me permito. Me permito quase qualquer coisa. Não comprometendo outras pessoas eu vou fundo, faço o que quero sem pestanejar. Eu corro. Corro atrás de um futuro bom e iluminado, sem esquecer do presente. De que adianta um futuro lindo, se futuro soa sempre como algo que não chega? Hoje é o futuro de alguns anos atrás, e pensando no quão mal eu poderia estar, me sinto bem. Sinto. Sinto muito, uma tonelada de sentimentos que transbordam, tão sinceros e tão enormes que se tornam quase palpáveis. Eu sou um sentimento. Aliás, sou uma ação, daquelas arrebatadoras. Eu movo e o mundo move comigo, meu mundo. No meu mundo cabe tudo, cabem todos, sempre cabe mais um. Meu mundo é que nem coração de mãe, acho.
Eu quero. Quero uma porção de coisas. Eu quero um querer desmedido, um desejo que não cabe mais em mim. Um desejo que sai pelos meus ouvidos, pelos meus olhos, mãos e cabelo. E por querer assim, sem pensar (e falando de cabelo), ele agora é meio cor de rosa, mais curto, mais bonito, mais impactante. Eu sou o impacto, que chega e deixa sem palavras. Mas só quando quero, e quando não eu sou sombra, quieta, espreitando, olhando. Meus olhos. Acho que dizem muito. Quando quero olho, e não consigo desviar o olhar. E além de querer eu quis, e fiquei olhando, e não consegui parar e olhou de volta por um breve instante, o suficiente pra minhas pernas bambearem e eu perder um pouco o chão. Mas não podia. Não posso. Certos quereres eu adormeço, por mais que eu queira e corra e mova e permita. Tenho limites, pronto, admiti. Esse querer que quis era nada, era só uma espécie de admiração misturada com encantamento, que eu deixei por algumas horas fazer parte do meu pensamento. Tenho novamente que admitir uma coisa: não foram horas e sim alguns poucos dias. Passou. Sempre passa. Por mais que fossem olhos brilhantes, sei que me olharam como quem quer nada, olharam por falar, por dirigir a palavra. Eu roía unhas e continuava olhando, já sabendo que era esse o significado.
Eu fui. Fui de uma porção de formas, por uma porção de anos. Já fui de andar por ai de preto, até descobrir as cores. Fui de andar de sapato até descobrir as chinelos. Fui de me esconder, agora sou de me encontrar. Também não fui, aliás muitas coisas nunca fui. Nunca fui de ligar pra dinheiro, nem pra saltos, nem pras meninas da minha idade. Nunca fui de andar de carro, faço tudo muito bem a pé. Eu gosto de andar de ônibus e observar a paisagem da janela. Eu sempre, também. Sempre gostei de fuçar sebos e do cheiro dos livros antigos. De achar dedicatórias e bilhetes e papéis. De comprar vestidos em brechós e ficar imaginando a história que eles tem, por quantos bailes passaram e quantos abraços sentiram. Eu sou uma velha, diz minha mãe. Muito careta em certos aspectos da vida, e eu nem acredito no quanto sou liberal em outros. Eu gosto de falar de mim, mas gosto de ouvir sobre os outros. Eu gosto de ouvir histórias e da bagagem que as pessoas carregam.
Estou em transição. Uma transição eterna. Eu as vezes não me aguento. Ninguém se aguenta em alguns momentos, acho.
Eu acho tanta coisa e são 3 da manhã e eu deveria estar dormindo. Paro de achar por aqui. Guardo alguns achismos pra amanhã.
Eu quero. Quero uma porção de coisas. Eu quero um querer desmedido, um desejo que não cabe mais em mim. Um desejo que sai pelos meus ouvidos, pelos meus olhos, mãos e cabelo. E por querer assim, sem pensar (e falando de cabelo), ele agora é meio cor de rosa, mais curto, mais bonito, mais impactante. Eu sou o impacto, que chega e deixa sem palavras. Mas só quando quero, e quando não eu sou sombra, quieta, espreitando, olhando. Meus olhos. Acho que dizem muito. Quando quero olho, e não consigo desviar o olhar. E além de querer eu quis, e fiquei olhando, e não consegui parar e olhou de volta por um breve instante, o suficiente pra minhas pernas bambearem e eu perder um pouco o chão. Mas não podia. Não posso. Certos quereres eu adormeço, por mais que eu queira e corra e mova e permita. Tenho limites, pronto, admiti. Esse querer que quis era nada, era só uma espécie de admiração misturada com encantamento, que eu deixei por algumas horas fazer parte do meu pensamento. Tenho novamente que admitir uma coisa: não foram horas e sim alguns poucos dias. Passou. Sempre passa. Por mais que fossem olhos brilhantes, sei que me olharam como quem quer nada, olharam por falar, por dirigir a palavra. Eu roía unhas e continuava olhando, já sabendo que era esse o significado.
Eu fui. Fui de uma porção de formas, por uma porção de anos. Já fui de andar por ai de preto, até descobrir as cores. Fui de andar de sapato até descobrir as chinelos. Fui de me esconder, agora sou de me encontrar. Também não fui, aliás muitas coisas nunca fui. Nunca fui de ligar pra dinheiro, nem pra saltos, nem pras meninas da minha idade. Nunca fui de andar de carro, faço tudo muito bem a pé. Eu gosto de andar de ônibus e observar a paisagem da janela. Eu sempre, também. Sempre gostei de fuçar sebos e do cheiro dos livros antigos. De achar dedicatórias e bilhetes e papéis. De comprar vestidos em brechós e ficar imaginando a história que eles tem, por quantos bailes passaram e quantos abraços sentiram. Eu sou uma velha, diz minha mãe. Muito careta em certos aspectos da vida, e eu nem acredito no quanto sou liberal em outros. Eu gosto de falar de mim, mas gosto de ouvir sobre os outros. Eu gosto de ouvir histórias e da bagagem que as pessoas carregam.
Estou em transição. Uma transição eterna. Eu as vezes não me aguento. Ninguém se aguenta em alguns momentos, acho.
Eu acho tanta coisa e são 3 da manhã e eu deveria estar dormindo. Paro de achar por aqui. Guardo alguns achismos pra amanhã.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Recomeços
De todos os meus recomeços, esse parece o mais concreto. Deve ser porque não planejei, eu simplesmente fiz. Tive uma atitude corajosa que mudou o rumo da história. Uma atitude que eu deveria ter tido a alguns anos atrás, mas e daí? O importante é que finalmente tive.
Eu tranquei, eu comecei a novo. De maneira geral, de maneira definitiva. Eu sou eu e nada mais me impede, porque eu não deixo. Eu não pergunto mais, eu vou e faço. Tem certos pontos na vida em que enxergamos claramente o que existe de errado. Quando chegamos a um desses pontos, entendemos a raiz do problema e assim podemos consertar. O que não tem remédio, remediado está, mas pro que tem, o melhor é medicar.
Durante muito tempo regrei minha vida pelo que os outros iam pensar. Eu comecei projetos sabendo que não dariam em nada, eu fui atrás de coisas porque alguém achava que seria bom pra mim. Não ganhei nada com isso além de decepção. Eu perdi sim, perdi tempo, um tempo precioso da minha vida. Mas o relógio não conta horas pra trás, então o melhor é olhar pra frente, sempre. Eu estou olhando, e eu vejo tudo muito lindo. Se alguma coisa der errado, já não importa mais: É o caminho que me importa, só o caminho.
Quem procura acha, quem atira pra todos os lados em algum momento acerta. Impossível passar a vida procurando, atirando, e nunca acertar, nunca chegar a lugar nenhum. Parafraseando o livro, pra quem não sabe aonde chegar, vale qualquer caminho. Meu caminho é composto por pedaços de azulejos bastante irregulares, bastante tortos, mas que no final formam um mosaico muito bonito. É o mosaico da minha vida e ele reluz.
Eu cansei de ser coadjuvante. De agora pra frente eu sou a personagem principal, nunca mais a melhor amiga.
Eu tranquei, eu comecei a novo. De maneira geral, de maneira definitiva. Eu sou eu e nada mais me impede, porque eu não deixo. Eu não pergunto mais, eu vou e faço. Tem certos pontos na vida em que enxergamos claramente o que existe de errado. Quando chegamos a um desses pontos, entendemos a raiz do problema e assim podemos consertar. O que não tem remédio, remediado está, mas pro que tem, o melhor é medicar.
Durante muito tempo regrei minha vida pelo que os outros iam pensar. Eu comecei projetos sabendo que não dariam em nada, eu fui atrás de coisas porque alguém achava que seria bom pra mim. Não ganhei nada com isso além de decepção. Eu perdi sim, perdi tempo, um tempo precioso da minha vida. Mas o relógio não conta horas pra trás, então o melhor é olhar pra frente, sempre. Eu estou olhando, e eu vejo tudo muito lindo. Se alguma coisa der errado, já não importa mais: É o caminho que me importa, só o caminho.
Quem procura acha, quem atira pra todos os lados em algum momento acerta. Impossível passar a vida procurando, atirando, e nunca acertar, nunca chegar a lugar nenhum. Parafraseando o livro, pra quem não sabe aonde chegar, vale qualquer caminho. Meu caminho é composto por pedaços de azulejos bastante irregulares, bastante tortos, mas que no final formam um mosaico muito bonito. É o mosaico da minha vida e ele reluz.
Eu cansei de ser coadjuvante. De agora pra frente eu sou a personagem principal, nunca mais a melhor amiga.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
O que me chateia é a forma como as coisas acontecem. Me importando com as pessoas, por mais que eu tente eu não consigo viver pensando 100% em mim. Não consigo focar dessa maneira que as pessoas conseguem, sem se importarem nem um pouco com os outros.
Andei pensando que isso provavelmente é uma coisa ruim, mas percebo que não. Se preocupar com os outros é bom, e quando a gente realmente se importa com alguém, não consegue deixar essa pessoa relativamente de lado por motivo algum.
Me sinto meio sozinha numa coisa em que não deveria estar. Quem quer se fazer presente faz, sempre dá uma maneira. Eu sempre dou uma maneira, é assim tão difícil? Não, não é. Mesmo eu sabendo que as coisas tem níveis de dificuldade diferentes para pessoas diferentes, sei que essa é uma coisa possível pra qualquer um.
Isso faz eu me sentir idiota.
Talvez eu seja.
Andei pensando que isso provavelmente é uma coisa ruim, mas percebo que não. Se preocupar com os outros é bom, e quando a gente realmente se importa com alguém, não consegue deixar essa pessoa relativamente de lado por motivo algum.
Me sinto meio sozinha numa coisa em que não deveria estar. Quem quer se fazer presente faz, sempre dá uma maneira. Eu sempre dou uma maneira, é assim tão difícil? Não, não é. Mesmo eu sabendo que as coisas tem níveis de dificuldade diferentes para pessoas diferentes, sei que essa é uma coisa possível pra qualquer um.
Isso faz eu me sentir idiota.
Talvez eu seja.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Quero ir a um lugar que nunca fui e nunca mais irei e dar a louca. Quero ganhar um monte de dinheiro com qualquer coisa estúpida, e então comprar um terreno no interior e construir uma casa, tijolo por tijolo. Quero um lugar onde ninguém me ache, algum paraíso arborizado no meio da cidade, onde eu possa sentar e ler um livro e não ser incomodada por horas a fio. Quero que a cidade não sofra alterações, e que mais cicatrizes não surjam na forma de prédios modernos e ruas duplicadas. Quero que meu cabelo cresça muito rápido sem que eu nem perceba. Quero aprender um monte de coisas e conseguir um emprego legal. Quero um emprego, mas não quero entrar no sistema, não quero fazer algo que não goste. Quero fazer amigos e influenciar pessoas. Mentira, não quero. Quero só fazer amigos. Quero uma casa no campo, e eu já disse isso, mas é que essa frase soa realmente muito bem.
As pessoas não sabem dividir sonhos. Sabem apenas te incluir nos delas. Talvez você seja assim também. Talvez compartilhar seja muito mais difícil do que parece. As pessoas não conseguem deixar as outras falarem, e se sentem muito melhor quando ninguém tem opinião. Porque é muito mais fácil levantar a voz e se impor, enquanto todo mundo fica calado.
Está um baita dum calor nessa madrugada. São 4 e pouca da manhã e estou derretendo. Sinto minha cabeça esquentando no travesseiro, a cama ficando insuportavelmente quente, minhas pernas pedirem pelo amor de Deus por um balde de água fresca. Estava com vontade de ir a praia. Mas a preguiça e o medo de não estar estudando tanto quanto deveria me impedem de sair de casa e ir até lá. Nem precisava tomar banho, queria ir só olhar. Só curtir a vista e o som e as pessoas passando. Talvez se eu levar um livro de matemática ou química pra praia eu me sinta feliz. Talvez assim eu junte todas as vontades e fique tranquila.
Vontade. Será mesmo que dá e passa? Será mesmo necessário aprender a conviver com elas, dando vazão apenas aquilo que é aceitável no momento? Tenho uma porção de vontades ocultas, de sentimentos que guardo e que nunca vão sair. Eu tenho frio na barriga e arrepios quando penso em certas coisas que diria e faria e eu nunca vou dizer e nem fazer. Porque não cabe, porque não pode. Nunca fui de me conter, e agora me contenho. Concessões são necessárias para a verdadeira felicidade. Prazeres momentâneos são o que são, efêmeros, rápidos, dolorosos e devastadores. Eu não quero mais ser devastadora, eu já provei o gostinho do que é ser e não gostei. Aliás, confesso, gostei. Mas no dia seguinte o gosto na boca era amargo, então aprendi que não vale a pena. Vale mais manter essa calma, essa placidez. Vale muito mais.
Enfim, é isso. Eu falo demais. Pena que só falo demais quando to sozinha.
As pessoas não sabem dividir sonhos. Sabem apenas te incluir nos delas. Talvez você seja assim também. Talvez compartilhar seja muito mais difícil do que parece. As pessoas não conseguem deixar as outras falarem, e se sentem muito melhor quando ninguém tem opinião. Porque é muito mais fácil levantar a voz e se impor, enquanto todo mundo fica calado.
Está um baita dum calor nessa madrugada. São 4 e pouca da manhã e estou derretendo. Sinto minha cabeça esquentando no travesseiro, a cama ficando insuportavelmente quente, minhas pernas pedirem pelo amor de Deus por um balde de água fresca. Estava com vontade de ir a praia. Mas a preguiça e o medo de não estar estudando tanto quanto deveria me impedem de sair de casa e ir até lá. Nem precisava tomar banho, queria ir só olhar. Só curtir a vista e o som e as pessoas passando. Talvez se eu levar um livro de matemática ou química pra praia eu me sinta feliz. Talvez assim eu junte todas as vontades e fique tranquila.
Vontade. Será mesmo que dá e passa? Será mesmo necessário aprender a conviver com elas, dando vazão apenas aquilo que é aceitável no momento? Tenho uma porção de vontades ocultas, de sentimentos que guardo e que nunca vão sair. Eu tenho frio na barriga e arrepios quando penso em certas coisas que diria e faria e eu nunca vou dizer e nem fazer. Porque não cabe, porque não pode. Nunca fui de me conter, e agora me contenho. Concessões são necessárias para a verdadeira felicidade. Prazeres momentâneos são o que são, efêmeros, rápidos, dolorosos e devastadores. Eu não quero mais ser devastadora, eu já provei o gostinho do que é ser e não gostei. Aliás, confesso, gostei. Mas no dia seguinte o gosto na boca era amargo, então aprendi que não vale a pena. Vale mais manter essa calma, essa placidez. Vale muito mais.
Enfim, é isso. Eu falo demais. Pena que só falo demais quando to sozinha.
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