Tem gente que luta vorazmente pra ser comum. Aquelas pessoas estranhas que começam a se vestir e agir como se fossem qualquer outra pessoa, mas de longe você repara o quão estranhas e deslocadas elas são.
Por algum tempo eu pensei querer ser comum. Querer chegar num lugar sem ser reparada, usar roupas, sapatos, maquiagem, tudo comum. Mas eu sei que lá no fundo eu não quero. Não quero e não gosto. Eu gosto de chamar atenção do meu modo, e não por parecer com qualquer outra garota. Não é questão de personalidade nem de nada que venha de dentro. É puramente estético. Eu gosto de ser diferente e ponto.
Mais do que apenas gostar de ter uma imagem diferente, eu sempre acho mais bonitas as pessoas que também são. Deve ser mesmo questão de gosto, e gosto não se discute. Lógico que as vezes precisamos nos camuflar: O mundo dos comuns não está preparado pra quem chama atenção e tem confiança nisso. Então melhor não chocar o mundo em algumas ocasiões, seria mesmo desnecessário.
No mais, eu me visto como eu quiser, e posso agir como quiser. Minha vida é minha, e a de todo mundo que se foda.
domingo, 25 de abril de 2010
quarta-feira, 21 de abril de 2010
segunda-feira, 19 de abril de 2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
Se sua conta bancária fosse um reality show, qual seria?
Resposta óbvia: No limite.
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É a arte de fazer piada com os pobrema.
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É a arte de fazer piada com os pobrema.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Segunda feira
Eu vou confessar algo estranho. É estranho não ter do que reclamar. Eu reclamo tanto que não sei mais escrever sobre estar bem. Quando não tenho reclamação eu fico me sentindo sem inspiração pra vir dizer nada. Eu costumava achar graça e alegria em qualquer dia. Não a graça e a alegria normais de estar viva. Não era uma coisa simples, era mais como florear qualquer acontecimento bobo. Acho que perdi esse dom. Daí não ter do que reclamar é como não ter o que contar. Bizarro. O_O
Mas ok, lá vou eu tentar florear um pouco meu dia:
- Hoje eu fui a toa pra faculdade. Falei por uns 3 minutos com uma colega de turma, e rolou uma conversa de meia hora entre o professor e os alunos, falando sobre as tragédias causadas pela chuva e a greve dos ônibus. Foi até legal.
- Fui visitar minhas amigas porque uma delas ia embora hoje. E fiz "surpresa" quando entrei. E ganhei abraços, e falamos de esmaltes, roupas, sapatos, séries e da novela.
- Ensinei meu irmão mais novo a fazer a barba. Porque minha mãe não sabe e meu irmão mais velho não tem nem sombra de pelos no rosto. Expliquei direitinho como fazia, e agora ele é um adolescente feliz sem bigode de porteiro. Bem melhor.
- Hoje estudei feito uma louca, crente que tinha prova, e descobri que não tinha. Pelo menos já li a matéria toda.
- Comi ainda a pouco meu sanduíche favorito: Pão de forma + margarina + queijo minas. Sanduíche nenhum no mundo é melhor que esse. Nenhum mesmo.
- Limpei a cozinha, meu quarto e o banheiro em tempo recorde: Acordei as 10h e ao meio dia tava tudo limpo. E beeeeem limpo.
- Dei alguns chiliques necessários, e eles deram resultado.
É. Foi isso. Olhando agora nem parece tão banal. Vai ver a capacidade de florear está voltando.
Mas ok, lá vou eu tentar florear um pouco meu dia:
- Hoje eu fui a toa pra faculdade. Falei por uns 3 minutos com uma colega de turma, e rolou uma conversa de meia hora entre o professor e os alunos, falando sobre as tragédias causadas pela chuva e a greve dos ônibus. Foi até legal.
- Fui visitar minhas amigas porque uma delas ia embora hoje. E fiz "surpresa" quando entrei. E ganhei abraços, e falamos de esmaltes, roupas, sapatos, séries e da novela.
- Ensinei meu irmão mais novo a fazer a barba. Porque minha mãe não sabe e meu irmão mais velho não tem nem sombra de pelos no rosto. Expliquei direitinho como fazia, e agora ele é um adolescente feliz sem bigode de porteiro. Bem melhor.
- Hoje estudei feito uma louca, crente que tinha prova, e descobri que não tinha. Pelo menos já li a matéria toda.
- Comi ainda a pouco meu sanduíche favorito: Pão de forma + margarina + queijo minas. Sanduíche nenhum no mundo é melhor que esse. Nenhum mesmo.
- Limpei a cozinha, meu quarto e o banheiro em tempo recorde: Acordei as 10h e ao meio dia tava tudo limpo. E beeeeem limpo.
- Dei alguns chiliques necessários, e eles deram resultado.
É. Foi isso. Olhando agora nem parece tão banal. Vai ver a capacidade de florear está voltando.
Gritando
Todo mundo tem limite, e tenho descoberto que eu também. Eu cansei de agir como se não me importasse com nada, porque me importo. Eu me importo muito com a minha sanidade, me importo muito com a minha saúde mental. E eu não posso simplesmente suportar os gritos, porque eles ecoam por dentro durante tempo demais. Eles ecoam e me fazem querer esmurrar a parede, me fazem querer dar com a cabeça num muro ou me jogar na frente de um carro. Porque a raiva consome, e as marcas no meu braço me fazem sempre lembrar do quanto ela já me consumiu. Do quanto eu já me machuquei por medo de dizer o que pensava.
Mas como eu disse, todo mundo tem limite. E o meu foi sendo cutucado aos poucos, até finalmente revidar. Eu grito, eu penso, eu falo, eu sinto. Eu sinto e eu não posso conter e fingir que tá tudo bem. Porque eu tenho opinião, e já percebi que aqui ela só funciona se elevo o tom da voz. Falar calmamente nessa casa representa silêncio. E eu já fiquei em silêncio por tempo demais.
Então eu não vou mais ser a única a fazer as coisas, a ir a banco, a ir ao mercado, a nada. Eu vou quando estiver afim, quando tiver tempo. E se não tiver, que outro faça. Ninguém é mais criança, e já faz tempo demais que eu sou a única a fazer de tudo. Ficou todo mundo acostumado a pisar na minha cabeça, a me falar merda como se eu fosse ninguém. Pois bem, se não sou ninguém pra eles, que resolvam então seus problemas? É a mensalidade da escola do irmão? Ele que vá ao banco, com a idade dele eu já estava cansada de ir. É a parcela de um cartão que não é meu? Que vá então ao banco, tem carro, tem tempo. Eu não tenho.
Eu me sinto gritando por dentro. Mas hoje eu gritei tudo pra fora. A sensação de leveza é reconfortante.
Mas como eu disse, todo mundo tem limite. E o meu foi sendo cutucado aos poucos, até finalmente revidar. Eu grito, eu penso, eu falo, eu sinto. Eu sinto e eu não posso conter e fingir que tá tudo bem. Porque eu tenho opinião, e já percebi que aqui ela só funciona se elevo o tom da voz. Falar calmamente nessa casa representa silêncio. E eu já fiquei em silêncio por tempo demais.
Então eu não vou mais ser a única a fazer as coisas, a ir a banco, a ir ao mercado, a nada. Eu vou quando estiver afim, quando tiver tempo. E se não tiver, que outro faça. Ninguém é mais criança, e já faz tempo demais que eu sou a única a fazer de tudo. Ficou todo mundo acostumado a pisar na minha cabeça, a me falar merda como se eu fosse ninguém. Pois bem, se não sou ninguém pra eles, que resolvam então seus problemas? É a mensalidade da escola do irmão? Ele que vá ao banco, com a idade dele eu já estava cansada de ir. É a parcela de um cartão que não é meu? Que vá então ao banco, tem carro, tem tempo. Eu não tenho.
Eu me sinto gritando por dentro. Mas hoje eu gritei tudo pra fora. A sensação de leveza é reconfortante.
The long and winding road
E então ela chorou. Chorou por alguns minutos, de um jeito pesado que eu nunca tinha visto ela chorar antes. Sei que chorou assim porque percebeu que suas atitudes alteraram não só a minha vida como a de outras pessoas, e talvez porque tenha finalmente percebido o mal que me fez com isso tudo.
Vai ver ela chorou ao me ver chorando compulsivamente. Porque eu senti que era um choro de tristeza, um choro de quem diz "meu Deus, o que foi que eu fiz?". Era um choro que cessou logo em seguida, quando ela começou a falar sobre como algumas culpas foram minhas e nada tiveram a ver com ela. Eu sei que sim, mas a raiz delas está nela, sempre esteve. Não quero culpar ninguém e não preciso: Eu assumo minhas culpas e na realidade costumo remoê-las, mesmo involuntariamente. E por isso sei que a origem de tudo não foi problema meu nem culpa minha. Eu errei, errei muito, mas sei que tudo seria bem diferente sem a interferência dela.
Acho que até hoje de manhã ela não tinha mesmo se dado conta do estrago que fez. Acho que nem mesmo eu tinha me dado conta de todo o estrago. Parece que dormi por tempos, e quando abri os olhos tudo estava mudado. Fica no final esse aperto no peito, essa sensação de não poder fazer nada. Talvez seja isso o que dói mais. Ou talvez nem tenha doído. Talvez eu já nem sinta.
Só sei que coloquei uma pedra no passado, dessa vez de maneira definitiva. Eu me sinto desolada por motivos que ninguém além de mim vai entender. Eu me sinto como se uma parte enorme de mim tivesse morrido.
No meu mundo todas as coisas supostamente eternas acabam morrendo. Fica a lembrança, mas o que a gente faz com a lembrança do que seria eterno? É como pedir pra alguém viver no escuro pensando no sol: Lembrar dele não vai trazer a luz de volta.
Eu não queria que o passado voltasse. Eu não abriria mão de nada que tenho hoje. Sendo assim, prefiro pensar que tudo que aconteceu fez de mim a pessoa que sou. Fez de mim um pouco menos fria e despreocupada com a vida. Fez de mim uma mulher. Me fez muito menos leviana, e infinitamente mais preocupada com o coração alheio. Tudo que aconteceu me fez percorrer os caminhos que me levaram ao ponto onde me encontro. E eu não me sinto infeliz com o lugar onde estou.
Eu ontem andei o caminho até a porta dele pela última vez. Aquela nem é mais a porta dele e eu não estava sozinha. As nossas vidas mudaram sem que nós dois percebessemos. Parecia que ia ser pra sempre aquela amizade sem tamanho. Parecia mesmo que eu ia poder continuar ligando e aparecendo sem avisar. Que a campainha ia tocar e a gente ia ficar por horas sem fazer nada, rindo um da cara do outro e pensando na vida. Que eu ia poder sempre ligar pedindo companhia, e mesmo estando muito longe ele iria até lá. Mesmo que muito longe fosse o caminho do portão até o banco, só pra me salvar da fila.
Parecia que um dia todo mundo ia entender que era só isso, que era inocente e só. Que era amor como se ele fosse um irmão que eu nunca conheci, e que eu podia dormir do lado dele sem que nada acontecesse. Que a gente podia brincar de cosquinha e de porrada. Que a gente podia andar pelas pedrinhas pretas e brancas do chão do centro, correndo, sem querer saber do que os outros pensavam. Parecia que um dia ia ser possível ser criança assim pra sempre e ser feliz. Mas acontece que ninguém entende, nem nunca vai entender. Ninguém nunca vai alcançar, e a vida fez o favor de deixar isso tudo pra trás. Fez o favor de colocar pelo caminho escolhas sem retorno.
E então eu chorei ao perceber que finalmente ficou pra trás. E ela chorou de ver que isso me deixou tão mal. Ela, assim como todo mundo, não compreende. Ao menos ela agora se sentiu um pouco culpada pelo fim disso tudo. Ela, assim como todo mundo, nunca vai compreender.
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It won't lead me to your door anymore. Nevermore.
Vai ver ela chorou ao me ver chorando compulsivamente. Porque eu senti que era um choro de tristeza, um choro de quem diz "meu Deus, o que foi que eu fiz?". Era um choro que cessou logo em seguida, quando ela começou a falar sobre como algumas culpas foram minhas e nada tiveram a ver com ela. Eu sei que sim, mas a raiz delas está nela, sempre esteve. Não quero culpar ninguém e não preciso: Eu assumo minhas culpas e na realidade costumo remoê-las, mesmo involuntariamente. E por isso sei que a origem de tudo não foi problema meu nem culpa minha. Eu errei, errei muito, mas sei que tudo seria bem diferente sem a interferência dela.
Acho que até hoje de manhã ela não tinha mesmo se dado conta do estrago que fez. Acho que nem mesmo eu tinha me dado conta de todo o estrago. Parece que dormi por tempos, e quando abri os olhos tudo estava mudado. Fica no final esse aperto no peito, essa sensação de não poder fazer nada. Talvez seja isso o que dói mais. Ou talvez nem tenha doído. Talvez eu já nem sinta.
Só sei que coloquei uma pedra no passado, dessa vez de maneira definitiva. Eu me sinto desolada por motivos que ninguém além de mim vai entender. Eu me sinto como se uma parte enorme de mim tivesse morrido.
No meu mundo todas as coisas supostamente eternas acabam morrendo. Fica a lembrança, mas o que a gente faz com a lembrança do que seria eterno? É como pedir pra alguém viver no escuro pensando no sol: Lembrar dele não vai trazer a luz de volta.
Eu não queria que o passado voltasse. Eu não abriria mão de nada que tenho hoje. Sendo assim, prefiro pensar que tudo que aconteceu fez de mim a pessoa que sou. Fez de mim um pouco menos fria e despreocupada com a vida. Fez de mim uma mulher. Me fez muito menos leviana, e infinitamente mais preocupada com o coração alheio. Tudo que aconteceu me fez percorrer os caminhos que me levaram ao ponto onde me encontro. E eu não me sinto infeliz com o lugar onde estou.
Eu ontem andei o caminho até a porta dele pela última vez. Aquela nem é mais a porta dele e eu não estava sozinha. As nossas vidas mudaram sem que nós dois percebessemos. Parecia que ia ser pra sempre aquela amizade sem tamanho. Parecia mesmo que eu ia poder continuar ligando e aparecendo sem avisar. Que a campainha ia tocar e a gente ia ficar por horas sem fazer nada, rindo um da cara do outro e pensando na vida. Que eu ia poder sempre ligar pedindo companhia, e mesmo estando muito longe ele iria até lá. Mesmo que muito longe fosse o caminho do portão até o banco, só pra me salvar da fila.
Parecia que um dia todo mundo ia entender que era só isso, que era inocente e só. Que era amor como se ele fosse um irmão que eu nunca conheci, e que eu podia dormir do lado dele sem que nada acontecesse. Que a gente podia brincar de cosquinha e de porrada. Que a gente podia andar pelas pedrinhas pretas e brancas do chão do centro, correndo, sem querer saber do que os outros pensavam. Parecia que um dia ia ser possível ser criança assim pra sempre e ser feliz. Mas acontece que ninguém entende, nem nunca vai entender. Ninguém nunca vai alcançar, e a vida fez o favor de deixar isso tudo pra trás. Fez o favor de colocar pelo caminho escolhas sem retorno.
E então eu chorei ao perceber que finalmente ficou pra trás. E ela chorou de ver que isso me deixou tão mal. Ela, assim como todo mundo, não compreende. Ao menos ela agora se sentiu um pouco culpada pelo fim disso tudo. Ela, assim como todo mundo, nunca vai compreender.
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It won't lead me to your door anymore. Nevermore.
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