segunda-feira, 10 de agosto de 2009

I want to love you MADLY.

"when i kiss your lips
i want to sink down
to the bottom of the sea

i want to love you madly
i want to love you now (yeah)
i want to love you madly (wait)
i want to love you, love you, love you madly"
Love you madly - Cake

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Hoje passei o dia como se tivesse uma mão em cima da minha cabeça, empurrando ela pra baixo. Sinto a sensação do sono, mas não tenho sono. Eu deito e não consigo dormir. Sinto um peso nas minhas costas, como se estivesse carregando uma mochila cheia de pedras. Mas não carrego nada.

Talvez os acontecimentos do dia tenham me abatido um pouco, não sei. Talvez eu sinta que algo vem, algo imprevisível, algo fora de controle. E se ela realmente morresse? E se ela não vai, seria capaz de colocar isso na minha cabeça por puro drama? Seria ela capaz de tamanha crueldade comigo? A madrinha é meio perturbada, mas não acredito que seria capaz.

Daqui a 14 dias faz um ano que a minha vó morreu. Um ano sem ligações durante todo o dia, sem passeios ao brechó, sem ir a casa dela só pra não vir pra casa. Um ano sem brigas, sem histórias, sem ter a quem perguntar sobre laquê e costura. Um ano sem ninguém ver meus bordados e tricôs com olhos de aprovação. Um ano sem sair do quarto e ver ela deitada na cama, na copa, dormindo. Um ano sem a moça que tomava conta dela, e que me ensinava a fazer enfeites nas unhas. Um ano que passou voando.

Um dia depois faz um ano que ela foi enterrada. E um ano que meu primo nasceu. Engraçado pensar que toda vez que eu olhar pra ele, no aniversário dele, vou lembrar que ela morreu. Morreu sem ver o neto que ela mais queria. Morreu sem olhar pro sorriso largo e fácil que ele dá, pro cabelo engraçado que ele tem.

A morte é só mais uma fase, e eu sei. É o fim, porque eu não acredito mais em nada depois. Eu acredito em hoje, em amanhã, mas não no depois. E sendo assim, as pessoas foram embora pra sempre. Talvez fosse mais reconfortante acreditar que eu encontraria elas de novo um dia, mas eu não consigo. Eles foram embora, e nada muda isso. Eu aceito, eu entendo. Mas aceitar e entender não torna menos doloroso.

Morte. Serve pra dar mais valor as pessoas. De preferência enquanto elas ainda estão aqui.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Mau humor.

Hoje eu acordei de mau humor. E meu irmão me irrita. E minha mãe me irrita. E a casa me irrita. E o tempo me irrita. E o celular me irrita. E os remédios me irritam, eu odeio tomar remédios. E a dor de cabeça me irrita. E os barulhos, e a televisão berrando, e meu padrasto surdo. Hoje eu acordei de mau humor e tudo que eu quero é fechar os olhos e acordar num campo florido, num dia de sol, com um vestido rodado e os pés descalços. Tudo que eu quero é deitar na grama e não me importar com as formigas mordendo minhas pernas.

Sem ter meu dia colorido, me contento com cigarros e uso o restinho de paciência contida em mim pra não levantar, pegar minha bolsa e sair.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

"...e o passado é uma roupa que não nos serve mais"

Hoje parei pra ler e-mails antigos. É engraçado como o passado é realmente uma roupa que não nos serve mais. É como quando eu tinha uns 12 anos e cresci muito rápido: A maioria das minhas calças ficava pescando. A sensação de andar com calças curtas era extremamente desagradável. Assim são certas coisas que passaram.

Entre e-mails deletados e algumas risadas, achei as mensagens da editora da Capricho, e lembrei de quando fui selecionada pra participar da equipe de meninas que publicavam textos no site e na revista. Eu concorri, mandei meu texto, esperei desesperançosa o resultado. Mas eu estava lá entre as selecionadas quando ele saiu. Eu estava lá, pra todo mundo ver, e fiquei bolando mil coisas, pensando em como seria legal participar daquilo.

E então os e-mails da editora foram vindo, e eu fui perdendo a coragem. Eu nunca respondi nenhum, nunca segui uma pauta, nunca mandei uma matéria. Eu sei que escrevo melhor do que a maioria das meninas que estavam lá, e que com certeza meus textos iriam parar na revista diversas vezes, e ainda assim eu não escrevi nada.

Muitas vezes eu lia a pauta da semana, escrevia sobre o assunto, fechava o word e deletava o arquivo. Nisso se foi um ano, o "estágio" acabou e eu não tirei nada de bom dele. Eu me gabei por algum tempo de ser selecionada, mas e daí? E daí fazer parte se eu não ia realmente fazer? E aí foi que eu tirei a oportunidade de alguém que provavelmente queria MUITO mais do que eu participar. E aí que eu fui uma idiota de não mandar o que escrevia. E aí que eu percebi que ser escolhida é só o início do processo, e que tudo é muito mais que isso.

Talvez o bom de reler tudo foi ver que mudei. Acho que não sou mais tão idiota hoje em dia. Eu quis por muito tempo conquistar as coisas erradas, e com isso perdi diversas oportunidades. Oportunidades estas que não vão voltar, e que eu nunca vou saber como teriam sido. Mas mesmo assim, coisas que me fizeram crescer, nem que seja pelo fato de não tê-las aproveitado.

O passado é uma roupa que não nos serve mais. E eu vou sempre ser a menina das calças pescando. Mas a sensação desagradável eu deixei pra trás, no momento em que percebi que por mais que o passado exista, ele é apenas uma calça no fundo da gaveta do esquecimento. Amanhã é sempre um novo dia, e começar de novo é como comprar roupas novas: Bem mais agradável do que se lamuriar por não caber mais nas antigas.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Mentira. Uma mentira. Uma única e inocente mentira. Não tão inocente assim, pois mentiras nunca o são. Uma mentira. É a única coisa necessária pra destruir uma vida, talvez duas ou mais. Talvez pra destruir apenas a vida de quem a contou. Porque mesmo que certas coisas nunca cheguem a acontecer por causa de tal invenção, a parte mais prejudicada será sempre a inventora dos fatos. É ela que não vai conseguir dormir a noite, tentando em vão descobrir um meio pra consertar o ocorrido. E quanto mais o tempo passa, mais inviável vai ficando a verdade.

Mentira. Eu já menti e me arrependo. Eu já inventei, reinventei, omiti. Omissão sempre parece menos pior do que mentira, mas não é. A omissão dói mais ainda por dentro, incomoda ainda mais. Eu já menti, e me arrependi amargamente. Eu fui atrás, eu consertei, eu disse a verdade e pedi perdão. Por alguns fui perdoada sinceramente, outros perdoaram apenas da boca pra fora, e terceiros nunca mais me dirigiram a palavra.

Mentira. Melhor conviver com a dor de uma verdade. Porque a verdade dói também, as vezes muito mais do que o contrário. Ela dói hoje, amanhã, mas passa. As verdades passam, como todas as coisas boas. Porque mesmo na dor que ela proporciona, ela é boa em essência.

Verdade a prestação. Tão ruim quanto uma mentira. Quando alguém conta algo hoje, inclui detalhes amanhã, mais detalhes na próxima semana. Vai doendo aos poucos, até um ponto insuportável, em que você chega a pensar que preferia não saber. Meias verdades. Ficam ali, rodando na cabeça, e cada vez que você sabe mais um pouco, começa a crer que vai existir sempre mais a saber.

Mentiras. As mentiras que contamos flutuam entre nossos pensamentos. Elas invadem a mesa do café, elas tiram o apetite na hora do almoço. Vão consumindo nossas idéias, até tomarem conta de tudo que somos. Impossível conviver com uma mentira por muito tempo. Porque ela corrói, como um câncer. Ela se espalha, a metástase é inevitável.

Mentir, omitir. O princípio de toda a dor consiste em uma das duas ações. E tudo vai se tornando uma grande bola de neve, porque uma coisa vai levando a outra, e assim sucessivamente. Impossível parar. A verdade escorre pelas mãos e tudo nos sufoca. Mentiras. Melhor viver sem elas, o quanto for possível. Todo mundo mente, todo mundo mentiu, e quem não mentiu um dia ainda mentirá.

Mentira patológica. Talvez toda a população sofra disso, em diferentes níveis. Quem pode julgar o limite, se esse julgador também mente? E o Doutor lá, com seus olhos de pompa e superioridade, diagnosticando uma mentirosa patológica. Ele, que trai a mulher, e anda pelos cantos mais obscuros da cidade. Ele, que odeia a vida que leva, odeia os filhos, despreza a esposa. Ele, que a noite dorme sonhando com a vida que não levou.

A verdade liberta. Porque mentir patológicamente é só levar ao extremo o que todo mundo faz. Mas a verdade, essa é a real loucura. Quem um dia resolver dizer tudo o que pensa, sem filtrar, será com certeza internado como louco. Porque o mundo, de uma forma ou de outra, não está preparado pra sinceridade nua e crua. O mundo quer a mentira, ele vive a mentira, dia após dia. Me chamem amarga, insana, o que for, mas eu prefiro o castelo de loucura da verdade, do que o calabouço cinza da mentira.

terça-feira, 28 de julho de 2009



Um dia eu conheci uma menina, que era irmã da minha melhor amiga. De início não dei muita atenção, era pra mim só mais uma adolescente, aparentemente pacata e inofensiva. Um dia descobri que ela era taurina e enfezada, não levava desaforo pra casa e brigava com todo mundo.

Um dia conheci uma menina, que além de ser irmã da minha melhor amiga, virou minha amiga também. E eu vi ela sorrir, chorar, beber, crescer. Um dia eu descobri que a menina era mais, bem mais do que a irmã da minha amiga, ela era uma das minhas melhores amigas.

Um dia conheci uma menina, e nós brigamos muito, uma porção de vezes. Porque eu era uma menina também, e não tinha percebido. Algumas vezes nós paramos de nos falar e nos afastamos, e eu custava sempre a perceber que não podia viver longe delas duas. Até que um dia nós deixamos de ser meninas, nós crescemos, amadurecemos, e nunca mais deixamos de nos falar.

Um dia conheci uma menina, tão amiga dos amigos dela, que seria capaz de mover céus e terra por eles. E é difícil encontrar meninas assim hoje em dia. Um dia percebi que também seria capaz de mover céus e terra pelos meus amigos, e me senti feliz por perceber que somos todos assim uns com os outros.

Um dia a menina veio me contar que vai embora. E mesmo sabendo que não vai ser pra sempre, e que vamos nos ver ainda uma porção enorme de vezes na vida, eu chorei. Porque eu me acostumei a ver ela sempre. Porque eu me acostumei aos finais de semana cheios de vida em que ela está sempre presente. Porque mesmo que todos os outros amigos continuem aqui, essa pedacinho de gente vai fazer uma falta absurda na nossa vida.

Um dia conheci uma menina. Agora eu olho e não a vejo mais com tanta facilidade. Eu vejo uma mulher, tendo responsabilidade, aceitando os fatos, e mesmo triste, com a cabeça erguida. Eu vejo uma mulher que vai ser um sucesso. Daí eu olho pra irmã dela e vejo uma mulher também. Onde estão minhas meninas? Passado o desespero inicial, percebo que ainda estamos aqui, em cada lembrança, em cada brincadeira, nas crises de riso e nos vídeos bobos que a gente assiste.

Um dia a vida muda. Aliás, ela muda todo dia. Mas eu fico feliz, e sorrio sozinha no quarto, por saber que eu tenho na minha pessoas assim, como essa menina. =)

domingo, 26 de julho de 2009

São seis e pouca da manhã, e aqui estou eu. A claridade começa a entrar pela janela, e me pergunto como será meu dia. O céu está alaranjado no pedaço que consigo enxergar, os passarinhos cantam como loucos. Seis e pouca da manhã.

O quarto começa a alaranjar enquanto o dia vem vindo. Eu começo a ficar aurora também, enquanto penso na vida e fumo meu último cigarro. As coisas ao redor falam sobre mim, palavras e sons que quase não compreendo. O céu alaranjando fala sobre o modo com o que o sol me influencia. A lata de cerveja meio vazia fala do meu esquecimento. O maço de cigarro me diz que eu deveria parar de fumar. A cadeira tenta em vão me levar até a cama, enquanto o chinelo grita que eu não deveria ficar descalça. As caixas de som desligadas questionam o meu silêncio, e a bagunça em coro reclama da minha desorganização.

Deveria ser diferente. Eu deveria estar dormindo e sonhando com grama e dias de sol. Sonhando com pessoas que não conheço e lugares onde nunca estive.

Tenho um sonho recorrente, desde que era pequena. Nele eu estou dirigindo um carro, numa estrada íngreme e cheia de curvas. Em determinado momento, vejo uma placa onde se lê "Alvorada", e me distraio vendo o dia que nasce por trás. A placa indica o caminho do sol. Na minha distração eu bato o carro, uma batida muito forte onde eu com certeza morreria. Eu saio sem nenhum arranhão, enquanto o carro está destruído.

Olho pro lado e vejo uma casinha cor de rosa, clara e pequena. Ela é toda cheia de janelinhas de vidro, fazendo com que seja possível enxergar do outro lado. Vejo folhas no chão e nada por dentro. Quando entro, as janelinhas são uma porção de porta-retratos, todos do mesmo tamanho. As folhas continuam no chão, e a sensação de abandono me causa melancolia. Sinto como se já tivesse estado lá. Olho as fotos, todas em preto-e-branco, e reparo serem fotos de acidentes de carro, todos naquele mesmo local. Cada vez que me movo, a expressão no rosto das pessoas muda, como se elas se movessem também. Um desespero toma conta de mim, e quando percebo tudo está em escala de cinza: Minhas roupas, sapato, pele. Tento falar, em vão. Eu virei mais uma foto na parede, aprisionada pra sempre na casinha cor-de-rosa.

Saio dali e vejo meu carro estacionado, inteiro. Entro e volto à estrada íngreme e cheia de curvas. E vejo novamente a placa, e bato novamente o carro. Vivo tudo novamente, eternamente. Sempre acordo sufocada com essa possibilidade.

Talvez esse seja o meu maior medo na vida. Viver tudo de ruim novamente, eternamente. Acordar todo dia na mesma manhã, com o mesmo tempo lá fora. Fazer as mesmas coisas que fiz em algum dia ruim. Eu tenho medo de um dia acordar e perceber que tive uma vida vazia, que fui uma pessoa vazia.

Quase sete horas. A claridade toma conta e nada mais fala comigo além da minha cabeça. Ela me diz que a melancolia é efeito do sono, e que se eu for dormir vou acordar renovada. Ela diz que essa infindável nostalgia não vai mesmo me deixar, e que eu vou sempre me perguntar como seria ter vivido em outros tempos. Talvez eu tenha, quem sabe.