quinta-feira, 25 de março de 2010

Sobre o Coração

Dizem que casa é onde vive nosso coração, e sendo assim eu não consigo imaginar outro lar pro meu que não seja com você. Meu coração vive aí em pensamento, e fica quietinho quando você está longe. Mas quando estou na sala de aula e faltam cinco minutos pra hora que marquei contigo, ele dispara. Ele dispara e quer sair de mim, quer sair correndo e finalmente chegar em casa. Ele quer ficar pertinho de onde mora, pra finalmente descansar. Parece uma criança pequena, perguntando a todo momento se falta muito pra chegar.

Nem tudo é festa e meu coração é inquieto. Quando chega em casa ele quer colocar pra fora tudo que sente, mas de repente a inércia toma conta e ele fica batendo quieto no seu canto. Ele meio que acostuma, como se aquele momento de retorno ao lar fosse durar pra sempre. No fundo ele sabe que não, e que esses momentos são na verdade cada vez mais corridos, mas mesmo assim relaxa e não fala nada, e começa a pensar em tudo que tem pra fazer fora de casa. Quando finalmente chega a hora de ir embora, aí sim o coração percebe: Não aproveitou o tempo que tinha e agora custa a chegar a próxima vez. Agora ele vai ficar murcho, desacelerado, esperando ansioso o tempo de voltar. Aí o coração de repente dispara e mete os pés pelas mãos, tentando mandar pra minha boca tudo que tinha deixado quieto. Aí eu disparo, também não consigo falar, e essa sopa de letrinhas volta, querendo ser digerida.

Meu coração não sabe o que faz, sei que não. Ele fica se sentindo perdido durante todo o tempo, menos quando se sente em casa. Em casa ele finalmente relaxa, mesmo que eu mesma não consiga relaxar. Mas de que importa afinal se eu não relaxo? Enquanto meu coração se sentir voltando pra casa cada vez que vai te encontrar, eu estarei feliz de alguma maneira. Eu estarei segura, finalmente. Eu finalmente não me sentirei sozinha.
Eu sou extremista ao extremo.




Quando tudo tá uma merda, eu vou mais pro fundo do poço. Quando tudo fica bom eu subo num prédio de 100 andares. Um dia me jogo de lá, quem sabe.
Eu achava que era uma pessoa de barulho, mas tenho começado a acreditar que nasci pro silêncio.

Pro silêncio e pra uma garrafa de coca cola só minha, que eu não tenha que medir quanto bebo. E pra uma sala só minha, que eu possa ligar a tv e assistir alguma coisa ininterruptamente, no volume que quiser. E pra um banheiro só meu, que eu lave e dure limpo a semana toda. E pra uma cozinha só minha, onde eu cozinhe e coma e beba o que eu quiser. E praquela solidão com cara de domingo chuvoso que bate de vez em quando. Pra uma cama enorme e gorda onde eu possa dormir até cansar, sem ninguém pra me acordar.

Eu vivo a mais chata das solidões. A solidão impossibilitada.

o cansaço vale a paz

Eu prefiro sentar num banco de praça pra tirar um cochilo, só pra adiar minha volta pra casa. Só por saber que isso vai me dar algum tempo a mais de paz.

Não, eu não dormi em nenhum banco de praça. Ainda.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Essas pessoas que a gente conhece e ficam na cabeça, comofas// De repente me sinto querendo impressionar gente que mal conheço, sem entender bem porque. Não é um impressionar tipo "oi, me nota, sou bonita e fenfual". É mais um querer impressionar intelecutualmente falando, do tipo "oi, me nota, sou inteligente", sem nada mais que isso.

Paixão intelectual. É fervorosa, é platônica, é intensa demais pra minha cabeça. E é puramente isso: Admiração pelo intelecto de certas pessoas. Sem nenhuma pretensão a mais, além de impressionar e me sentir impressionada. De me sentir meio estarrecida e idiota na frente, sem coragem de abrir a boca. É como gostar de alguém na quarta série: você sente as bochechas ficando vermelhas, e você sabe que quer alguma coisa, mas não sabe bem o que é. Eu me sinto assim, mas eu sei e é somente aquilo que disse.

Como agir então? Ficar calada no canto deixando tudo nesse platonismo sem fim? Abrir a boca e correr o risco de falar besteira?

É, eu não sei. Super quarta série.

Mais um dia

E lá se vai mais um dia. Mais uma terça feira cheia, em que saí de manhã cedo e cheguei lá pras 11 da noite. É cansativo, mas a sensação é boa no final: Quando chego em casa já está todo mundo tão cansado, que ninguém tem nem ânimo pra me encher o saco por bobeira. E então eu paro, sento e sou capaz de conversar com a minha mãe por tempos. A falta de proximidade faz com que a gente sempre tenha algum assunto novo. Sendo assim, essa coisa toda de estar longe a maior parte da semana é boa pra manutenção da minha relação com o povo aqui de casa.

Tudo tem seu lado bom e seu lado ruim. Chego em casa meio exausta de zanzar pela cidade, mas a paz de não conviver com estresse e gritaria compensa. Compensa muito.

segunda-feira, 22 de março de 2010

"Vida simples, pensamento elevado"

Conseguirei manter esse pensamento sempre na cabeça. Mas do que um pensamento, aliás, essa frase representa todo um estilo de vida. É difícil, muito difícil, não ceder e se deixar levar pelo que o mundo nos mostra. As propagandas e pessoas e lugares nos incitam a comprar e usar coisas que não precisamos, e nos fazem nem ao menos desenvolver uma opinião sobre elas. Simplesmente nos deixamos levar pela massa, ignorando nossas vontades reais e opiniões.

Viver de maneira simples demanda um esforço enorme quando se tem condições de não viver dessa maneira. Quem não tem dinheiro quer sempre mais, e quem tem não quer abrir mão. Investir em certas coisas, como estudo, não faz de ninguém menos simples. Mas a partir do momento que se gasta o dinheiro em coisas desnecessárias, a pessoa se deixa levar por um mar de ilusões. Daí escutamos frases como "eu preciso daquele sapato", "não vivo sem maquiagens dessa marca" e assim por diante. Mas você não precisa do sapato e viveria muito bem sem maquiagem alguma. Você viveria muito bem tendo apenas um lugar pra se abrigar da chuva e do sol e a comida necessária pra se manter vivo.

Existe uma outra frase que diz que levamos da vida a vida que levamos. É por aí mesmo que acredito que tudo funcione. No dia em que eu morrer quero que as pessoas lembrem da pessoa que eu fui, e não das coisas que possuí. Quero ser lembrada pelas minhas ações e só.

O que se pensa vai melhorando gradativamente, de acordo com a vida que se leva. Deixando pra trás os desejos mundanos e os impulsos que a sociedade nos causa, nos tornamos naturalmente pessoas melhores. Longe de mim achar que sou uma pessoa maravilhosa. Eu ainda estou aprendendo a não ceder. Me considero sim uma boa pessoa, mas muito longe ainda da pessoa que posso ser. Muito longe ainda de conseguir não julgar nada e nem ninguém, mas acreditando que chegar nesse ponto é possível.

E acreditando nisso parto pra minha terça feira, com muito amor no coração, com paciência, calma e fé. E que seja o que tiver que ser!

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