terça-feira, 13 de outubro de 2009



Eu hoje estou cinza feito o tempo lá fora. Mas eu já estava ficando cinza antes, mesmo quando o céu estava azul. Eu venho ficando irremediavelmente cinza, e as pessoas começam a reparar. Cadê a alegria, o descontrole? Cadê as minhas cores? Eu não sei pra onde tudo foi. Eu não sei porque isso tudo deu lugar a palidez e as olheiras. Mas eu me sinto tão sozinha. Tão, tão, tão sozinha. Eu me sinto perdida, eu me sinto uma criança pequena gritando. Porque ninguém dá atenção as crianças. Eu me sinto idiota por não conseguir falar do que se passa por dentro, eu não consigo falar pra ninguém. Eu não consigo me expressar em textos, em falas, em desenhos, eu não consigo me livrar disso que me aperta o peito, que me sufoca. Eu me sinto nada. Uma bolha de sabão, voando pelo ar, podendo explodir a qualquer momento.


Essa dificuldade me consome.
Não fosse o lado de fora, tão colorido e tão enorme me esperando, eu já teria explodido.


E ficaria ouvindo o dia inteiro, incansavelmente.

=)

Renda

Eu fiz um broche bonito de renda. Renda me faz pensar em praças, milho aos pombos, sorvete, crianças correndo, chapéus, pérolas, sapatos de bico redondo, meia fina, bigodes, mocinhas e rapazes, dondocas, pitéis, confeitarias, café, bomba de chocolate, chá das cinco, festas, almoços de domingo, família, rádio, flerte, bilhetes, namoro de portão e beijos escondidos.

Minha imaginação é fértil sim. Mas com esse cheirinho de coisa antiga, impossível não deixar ela fluir.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Conforme ele me conta como anda a vida, tudo que consigo pensar é: Ainda bem que não me envolve. É bizarro como as pessoas mudam, como a vida muda.

Me sinto sinceramente mal de ver uma pessoa com tanto potencial indo ladeira abaixo, construindo uma vida tão banal e vazia. Sei que quando ele encosta a cabeça no travesseiro a noite, deve se arrepender de todas as atitudes que tomou do início do ano pra cá. Deve se arrepender e deve chorar, pedindo pra que tudo volte ao zero e ele possa construir tudo de novo.

Enquanto eu construo um castelo forte e imponente, ele vai construindo um castelo de areia na beira do mar. Enquanto eu fico forte como o meu castelo, ele vai ficando mais vulnerável, como o dele. Não me sinto feliz em ver ele cair. Mesmo com tudo que aconteceu, e com todas as coisas ruins que me fez passar. Eu não consigo ser assim, até porque sei que também o fiz passar por coisas ruins. Eu me arrependo, ele se arrepende, e hoje em dia conseguimos nos falar numa boa. Mas somos diferentes, diferentes demais das pessoas que fomos.

Eu dou atenção porque sei que no final eu sou a única pessoa que dá. Eu sou a única que apoia, mesmo achando um absurdo um menino tão inteligente terminar como caixa de supermercado. Mesmo achando que ele podia e merecia muito mais, sei que o que ele tem hoje é resultado das opções que fez na vida.

E sobre as minhas opções, hoje tenho certeza que a melhor que fiz foi deixar ele passar. Foi deixar ele afundar sozinho. Foi juntar minhas forças, voltar a superfície e sair do poço. Mesmo assim, é triste demais. Agradecer por tudo não me envolver não me faz sentir menos triste em relação a isso.

Vai ver eu sou idiota por pensar assim. Mas eu queria realmente que ele fosse feliz.

domingo, 4 de outubro de 2009

Acho que devo ter nascido na época errada.

Eu gosto de cozinhar, gosto de colocar a mesa e da cara de alegria das pessoas quando comem. Gosto dos elogios. Eu gosto de ariar panelas e tricotar, de lavar roupa na mão e de costurar. Eu conheço produtos de limpeza e entendo sobre isso, sei quais são as melhores marcas e qual produto é melhor pra cada tipo de coisa.

Não fossem os estresses que as vezes rolam em casa (e o fato de eu andar um pouco mais tensa quanto a eles), ficar em casa seria pra mim o melhor programa: fazer uma porção de comida e coisas frufru, ver filmes e jogar jogos felizes. A verdade é que, mesmo com toda a minha energia, chegou uma hora em que eu sentava na balada e dormia. Isso quando não ficava me perguntando o que estava fazendo lá logo na hora que chegava.

Sempre fui mais feliz com passeios diurnos, com piqueniques, museus e almoços de domingo. Eu sempre fui quieta, e hoje vejo que minha mãe estava certa quando dizia "não entendo seu desespero de sair todo final de semana, você nunca foi assim". Eu nunca fui assim, e continuo não sendo. E hoje eu entendo que viver não significa estar na rua o tempo todo, com uma penca de pessoas que na realidade nem gostam tanto de você em volta. Viver significa fazer o que se gosta, sem se importar com a opinião alheia.

Mesmo assim, me sinto muito estranha pelos meus gostos. Estranha e meio sozinha. Amo meus amigos e amigas, mas eles na realidade não gostam de nada do que eu gosto. Eu nunca tenho com quem conversar sobre as coisas que eu faço, e talvez essa seja a maior saudade que eu tenho da minha vó: Era ela a minha companheira nesses assuntos. Era com ela que eu falava sobre laquê e pontos de tricô. Com a minha mãe falo sobre receitas, mas não é a mesma coisa. Minha mãe me ensinou tudo que ela sabia na cozinha, mas hoje meu interesse pelo assunto fez com que eu estudasse mais e ficasse um pouco a frente dela em certas coisas relacionadas a isso.

Daí eu fico assim, sendo essa bocó. Um monte de vezes eu tentei ser mais normal, mais sexy, mais fodona, mais beberrona, mais tudo. Eu tentei ser menos eu e gostar menos das coisas que eu gosto, tentei deixar elas de lado. Mas a verdade é que eu gosto e me gosto assim: Com roupa de vó, com assunto de vó, com vida de vó. Gosto de beber, mas não gosto de me embriagar pela rua. Minha sensualidade vem da minha naturalidade, e isto não pode ser forçado. Minhas roupas dos dias de alegria são os vestidos e saias abaixo do joelho. Um dia feliz pra mim envolve cozinhar alguma coisa pra família e ficar algum tempo deitada sem fazer nada demais (ou fazendo(6)).

E eu fico pensando muito que devo estar errada nas coisas que quero pra vida, nas minhas ambições. Eu devo estar errada em não querer ser rica, em não querer morar em apartamento, em querer ter minha terra auto-sustentável. Eu devo estar errada em não querer frequentar os lugares da moda, em não gostar de shopping e achar que brechó é muito mais feliz. Eu devo estar realmente errada em ser assim, se for medir pelos padrões de normalidade feminina de hoje em dia.

Mas sabe do que mais? Não ligo a mí-ni-ma.

sábado, 3 de outubro de 2009

Eu fico imaginando as vezes como vai ser minha vida daqui a 10 anos. Coisa que nunca fiz, porque sempre acreditei que 10 anos depois estaria morta ou internada..hahaha..Hoje conversando com um amigo, num momento virei e falei que ele era meu amigo de longa data de mais longa data, e ele respondeu "é, 6 anos já". Parei e não acreditei, contei nos dedos e é verdade, são mesmo 6 anos de amizade. A seis anos atrás, eu não imaginava estar tão bem tantos anos depois. Me imaginava sinceramente acabada, ou imaginava ter me matado ou tido alguma doença bizarra.

Nunca fui de pensar muito no futuro. Nunca fui de pensar as coisas a longo prazo, e na realidade continuo não sendo. Detesto gente que planeja muito, porque quem muito planeja acaba não realizando nada. Detesto guardar pra depois, e acho a máxima "quem come e guarda come duas vezes" uma baita idiotice: quem come tudo de uma vez não tem mais depois, mas ao menos se satisfaz e fica feliz. E se a pessoa guarda pra depois e morre? Não comeu tudo de uma vez e se fudeu.

Enfim, nunca pensei no futuro, mas me peguei esses dias pensando na vida daqui a 10 anos. Eu vou ter 30 anos, e eu DEFINITIVAMENTE não consigo me ver diferente do que sou hoje. Com 30 anos vou ser a mesma bocó de tênis e calça jeans. Eu não vou ser uma pessoa séria e frufru, de salto alto e roupa social. É engraçado pensar que eu não me imagino, estéticamente falando, daqui a tanto tempo, mas eu sei exatamente todas as coisas que quero ter. Eu não sei como vou fazer pra chegar lá, eu não sei o que fazer até lá, mas eu tenho certeza de tudo. Eu tinha essas certezas a seis anos atrás, mas nunca fui muito de dar ouvidos a sonhos.

É bizarro, muito bizarro. Daqui a 4 anos eu vou ter vivido mais 10 anos, a contar de uma época em que não acreditei que viveria. E no fim esse texto não faz nenhum sentido, sou só eu divagando.

divagando e sempre.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Alívio.

Agora que o pior passou, posso respirar novamente. Depois de algumas semanas de "ninguém me ama", "sou burra", "sou horrorosa","vou me fuder" e outras afirmações internas semelhantes, eu finalmente me sinto eu de novo!

Bonita, inteligente, capaz, divertida, boba, fofa, esperta e DE BEM COM A VIDA, PORRA! =D

Ufa.

Tpm e provas não fazem bem a minha saúde, definitivamente. Agora que fiz as provas mais bizarras e me saí bem (creio...hehehe), posso voltar ao meu normal. O bom que tiro desses dias tensos é a rotina de estudos, que vou manter ao longo do resto do período (assim evito desespero nas semanas próximas a prova).

Não quero nunca mais ficar péssima e lixo como fiquei, e nem deixar que áreas da vida se misturem e uma consiga fuder com outra.

Enfim, pra frente, sempre! ~/o/