Me sinto elétrica na madrugada. Roendo as unhas até sangrarem, olhando as formigas levando as migalhas embora da escrivaninha. Eu sou feliz assim. Os olhos vidrados na tela, o cabelo intocavelmente penteado, os dedos sangrando e a bunda dormente. Eu sou feliz assim até acordar com sono no dia seguinte, e levar adiante essa rotina maluca de internauta viciada.
Vício. Tem gente viciada em tudo nesse mundo. Eu sou viciada em internet e medo. Viciada em Ets e eu vou acender a luz porque bateu um medo de abdução agora.
fui.
Voltei. Tenho medo de escuro também. Estou me tornando angustiante com o passar do tempo. Angustiante e angustiada. Pânico, acho que é esse o nome. Eu sinto medo de tudo, menos de estar na rua. Se eu estivesse na rua agora com dois ou três amigos, mesmo no meio do tiroteio eu não estaria com medo. Mas o silêncio me traz medo. O silêncio, o escuro, as unhas roídas e o cabelo penteado. Me trazem a impressão de estar presa. Como se a realidade não fosse aqui, e isso assusta.
Acho que estou viajando porque está tarde.
Essa hora do blogger está louca. são exatamente 2 horas da manhã.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Circo.
Odeio muito quando tudo fica leve e frouxo. Gosto da vida em festa, em euforia, em êxtase. Gosto dos exageros em tudo, das risadas, escândalos, beijos roubados, poesia, arte, comida, dança, tudo em demasia.
Acho que faço da minha vida um circo. Com picadeiro, com leão, com bailarina. A vida é a festa colorida, mas a platéia é a inveja alheia espionando. E eu me preocupo com a platéia, e quero mais que eles se divirtam no meu circo.
Deve ser por isso que no final sou sempre a palhaça.
Acho que faço da minha vida um circo. Com picadeiro, com leão, com bailarina. A vida é a festa colorida, mas a platéia é a inveja alheia espionando. E eu me preocupo com a platéia, e quero mais que eles se divirtam no meu circo.
Deve ser por isso que no final sou sempre a palhaça.
que infâme.
Adoro aquele trocadilho idiota, que brinca assim:
Ela era uma puta escritora.
Puta, escritora?
ou puta escritora?
ela era uma puta?
uma escritora?
uma escritora puta?
uma puta escritora?
puta merda
que enrolação!
ela era uma exímia escritora.
pronto, falei.
Mas ela não era uma puta?
sim, uma puta escritora.
Mas assim, daquelas que dão pra todo mundo porque querem?
ou só pagando?
Ok. eu desisto.
Ela era uma puta escritora.
Puta, escritora?
ou puta escritora?
ela era uma puta?
uma escritora?
uma escritora puta?
uma puta escritora?
puta merda
que enrolação!
ela era uma exímia escritora.
pronto, falei.
Mas ela não era uma puta?
sim, uma puta escritora.
Mas assim, daquelas que dão pra todo mundo porque querem?
ou só pagando?
Ok. eu desisto.
Intermitente.
Intermitente é uma das minhas palavras favoritas.
Me lembra interminável, incessante, louco. Me lembra neurose e impaciência.
Me lembra ódio também.
In-ter-mi-ten-te
in-ter
mi
tente
em ter-me.
me tente.
in-ter-mi-ten-te
tente
intermi-nável
pra sempre
e sempre
ter
me tente
Me lembra interminável, incessante, louco. Me lembra neurose e impaciência.
Me lembra ódio também.
In-ter-mi-ten-te
in-ter
mi
tente
em ter-me.
me tente.
in-ter-mi-ten-te
tente
intermi-nável
pra sempre
e sempre
ter
me tente
Te[n]são
Estava ela sentada quando ele entrou no mesmo ônibus. Todos os bancos vazios, mas ele sentou no que ficava exatamente à sua frente. os fones pendurados no pescoço, uns óculos quadrados e um rosto engraçado. Sentou-se, encostou-se, mexeu-se, virou-se, parou. Ela atrás, a perna apertada, os joelhos encostavam nas costas e quanto mais se mexia, mais parecia bater.
Meia hora, quarenta minutos. Que vontade louca de dar uma joelhada, de pedir desculpas, de perguntar o que ouvia. Dez minutos. Que vontade de dar um tabefe na cabeça e mandar ficar quieto, pois já machucava os joelhos. Um minuto. O joelho batia e mexia como quem massageava, e visto que aquele não se mexia, parecia gostar.
Segundos, longos e tenebrosos de tensão e de prazer. Prazer idiota e banal, prazer não compartilhado e...prazeroso? Centésimos. De joelhos, costas, porradas, batidas, mexidas, impaciência. O prazer em irritar o indivíduo da frente. Que prazer mais mórbido.
Lá pelas tantas, fossem minutos ou horas, levantou-se. Ele. Ela se ajeitou e ficou olhando fixamente, esperando ele olhar pra trás. Olhou. Ela fez a cara mais safada do mundo, e olhou pra janela, mastigou o chiclete e riu. Ele também. Saiu do ônibus pra nunca mais.
Esses segundos compartilhados de insanidade nos meios de transporte público me deixam maluca. No sentido literal da coisa.
Meia hora, quarenta minutos. Que vontade louca de dar uma joelhada, de pedir desculpas, de perguntar o que ouvia. Dez minutos. Que vontade de dar um tabefe na cabeça e mandar ficar quieto, pois já machucava os joelhos. Um minuto. O joelho batia e mexia como quem massageava, e visto que aquele não se mexia, parecia gostar.
Segundos, longos e tenebrosos de tensão e de prazer. Prazer idiota e banal, prazer não compartilhado e...prazeroso? Centésimos. De joelhos, costas, porradas, batidas, mexidas, impaciência. O prazer em irritar o indivíduo da frente. Que prazer mais mórbido.
Lá pelas tantas, fossem minutos ou horas, levantou-se. Ele. Ela se ajeitou e ficou olhando fixamente, esperando ele olhar pra trás. Olhou. Ela fez a cara mais safada do mundo, e olhou pra janela, mastigou o chiclete e riu. Ele também. Saiu do ônibus pra nunca mais.
Esses segundos compartilhados de insanidade nos meios de transporte público me deixam maluca. No sentido literal da coisa.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Eu olho os livros, eles me olham. Preciso estudar. Preciso mesmo, não quero viver mais assim, desperdiçando potencial.
É assim que me sinto em 90% do tempo: me desperdiçando. Eu desenho bem, escrevo bem, falo bem. E no entanto, não desenvolvo ao máximo nenhuma das capacidades. Fico sendo apenas boa nelas todas, sem ser ótima em nenhuma.
Acho que sou a preguiça em forma de gente. Queria fazer teatro, pintura, falar Francês e dançar de par. Queria tanta coisa, e fico vivendo a mesma vida, sem grandes diferenças.
Não, essa não é a hora em que eu falo "mas hoje vai ser diferente..", dou tchau e termino não começando nada. Essa hora não vai chegar. Mas a propósito, vou lá fazer um trabalho, só pra não perder o costume.
Acho que é essa falta de rotina que me mata.
É assim que me sinto em 90% do tempo: me desperdiçando. Eu desenho bem, escrevo bem, falo bem. E no entanto, não desenvolvo ao máximo nenhuma das capacidades. Fico sendo apenas boa nelas todas, sem ser ótima em nenhuma.
Acho que sou a preguiça em forma de gente. Queria fazer teatro, pintura, falar Francês e dançar de par. Queria tanta coisa, e fico vivendo a mesma vida, sem grandes diferenças.
Não, essa não é a hora em que eu falo "mas hoje vai ser diferente..", dou tchau e termino não começando nada. Essa hora não vai chegar. Mas a propósito, vou lá fazer um trabalho, só pra não perder o costume.
Acho que é essa falta de rotina que me mata.
domingo, 25 de maio de 2008
Sem finais.
Imagina, ela não ir a Montauk naquele dia. Ela não foi ganhar as ruas porque pegou uma gripe e nunca será Uma linda mulher. Ele tomou a pílula vermelha, e em qualquer outro tempo, em outro canto do País, ela não trocou de casa com outra, e nunca irá pro Reino Unido.
Pense só se eles nunca fossem procurar o corpo do menino que morreu. Se ele não voltasse pra vingar a morte da namorada, acompanhado de um pássaro. Se ela não tivesse medo de avião, ou nunca entrasse na internet. Se ele não gostasse de menininhas e se ela não entrasse naquele navio.
É. Realmente é uma viagem pensar nisso.
Pense só se eles nunca fossem procurar o corpo do menino que morreu. Se ele não voltasse pra vingar a morte da namorada, acompanhado de um pássaro. Se ela não tivesse medo de avião, ou nunca entrasse na internet. Se ele não gostasse de menininhas e se ela não entrasse naquele navio.
É. Realmente é uma viagem pensar nisso.
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