Cores, chiclete, pensamento, borboletas, vinho, cabelo, pele, rosto, sorriso, bolhas de sabão, whisky, coelhos, cadeiras, gatos, cerveja, cachorro, música, sexo, cheiro de livro antigo, cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos, coca-cola, água, lírios, rosas, fósforos, caneta, lápis, papel, computador, urso, maçaneta, porta, janela, cortina, cama, colcha de florzinhas, travesseiros, casaco, saia, camiseta, coturno, all star, máquina de costura, bordado, tricô, sex on the beach, amigos, amigas, amores, cds, filmes, ventilador, luz, sombra, escuro e sol. E noite. E estrelas.
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"O que faz ela ser quase um segredo
É ser ela assim, tão transparente
Ela é livre e ser livre a faz brilhar
Ela é filha da terra, céu e mar
Dandara!"
Mas acho que não tenho perto de mim o mundo inteiro, e à volta outro mundo admirado. Vai saber.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Como bolinhos de chuva.
Encare hoje como o primeiro dia do resto da sua vida. Aquele dia em que tudo começa, e que faz o amanhã ser sempre inesperado. Encare cada fato, mesmo pequeno, como um acontecimento mágico. Mas faça isso com os fatos bons, ainda que aparentemente ínfimos. Os beijos, abraços, as palavras de carinho. Faça isso com a borboleta que você viu, e com o jeito como os carros passam apressados na rua. Guarde cada coisa num cantinho da mente, onde você possa encontrar com facilidade quando o amanhã chegar.
Sobre os fatos ruins, ignore-os. Afinal, esse é o seu primeiro dia. Leve o possível na brincadeira, e o impossível trate de jogar fora, jogar pra bem longe. Pegue as decepções e medos de hoje, amasse e jogue na lata do lixo. Você não quer lembranças ruins no seu começo. Você pode esperar o amanhã para tê-las, se por algum motivo desejar lembrar de coisas ruins. Eu recomendo nunca dar importância. Porque essas lembranças são como um bolo cheio de fermento, e vão crescendo, crescendo, até estourar e te deixar vazio, murcho.
E então, primeiro dia. Se lembre da escola, e de como sentia frio na barriga só de pensar no início do ano. Resgate a sensação pura e simples da vontade de rever os amigos, de comer bolo na cantina, de aprender. Resgate o pique-esconde e os trabalhos em grupo. Resgate aquela sensação leve e gostosa que eles traziam. Porque mesmo que na época algumas situações parecessem tenebrosas, hoje você sabe que aqueles eram sentimentos leves, se comparados a tudo que pode sentir.
Pare hoje pra falar. Fale pausadamente, ouça o que diz. Não se pode exigir que alguém nos ouça quando nem nós mesmos nos ouvimos. Ouça o som da sua voz, o peso com que descreve cada situação, com que faz cada pergunta. Ouça os outros também, hoje existe tempo pra tudo. Olhe nos olhos quando falar e quando ouvir. Guarde esses olhos na memória, sejam eles de quem forem. Guarde o maior número de olhares que conseguir, nesse seu começo de vida. Você vai precisar deles amanhã, quando o caminho parecer sombrio. Vai precisar de olhos pra te guiar, muito mais do que de palavras.
Palavras. Jogue palavras ao vento, mas não faça isso levianamente. Jogue com cuidado para não quebrar, para o vento não levá-las com força e para não machucarem ninguém. Solte sussurros, eles voam com mais facilidade e assim chegam mais rápido. Assopre as palavras pelo ar como bolhas de sabão, como folhas secas dançando ao vento. Como primeiro dia de todo o resto, você vai querer ser rapidamente lembrado pelo que diz e faz, mas não se apresse: Se você fizer tudo do seu modo, no seu tempo, será recordado da melhor maneira. Talvez não por todos, mas por aqueles que realmente importam, aqueles que você ama e pelos quais realmente vive.
Enfim. De qualquer maneira, hoje é o primeiro dia do resto da sua vida. Mesmo que você não o encare como tal. Hoje é sempre o começo, porque amanhã pode nem existir. A possibilidade de inexistência do amanhã não deve portanto o fazer encarar hoje como um possível fim. Porque se você ainda o tem pra tentar, tem então preciosas horas pela frente. A vida é preciosa demais pra se acreditar nos anos que vêm, temos que dar valor a ela agora. Sendo assim, diga, veja, ouça, sinta, pergunte, responda, corra, grite, sorria, faça alguém sorrir, olhe pra alguém, entenda alguém, conforte. Viva com o gosto e a felicidade de quem come o primeiro bolinho de chuva, e não se importa de queimar a língua, porque sabe que o prazer vai compensar a dor, sempre.
Sobre os fatos ruins, ignore-os. Afinal, esse é o seu primeiro dia. Leve o possível na brincadeira, e o impossível trate de jogar fora, jogar pra bem longe. Pegue as decepções e medos de hoje, amasse e jogue na lata do lixo. Você não quer lembranças ruins no seu começo. Você pode esperar o amanhã para tê-las, se por algum motivo desejar lembrar de coisas ruins. Eu recomendo nunca dar importância. Porque essas lembranças são como um bolo cheio de fermento, e vão crescendo, crescendo, até estourar e te deixar vazio, murcho.
E então, primeiro dia. Se lembre da escola, e de como sentia frio na barriga só de pensar no início do ano. Resgate a sensação pura e simples da vontade de rever os amigos, de comer bolo na cantina, de aprender. Resgate o pique-esconde e os trabalhos em grupo. Resgate aquela sensação leve e gostosa que eles traziam. Porque mesmo que na época algumas situações parecessem tenebrosas, hoje você sabe que aqueles eram sentimentos leves, se comparados a tudo que pode sentir.
Pare hoje pra falar. Fale pausadamente, ouça o que diz. Não se pode exigir que alguém nos ouça quando nem nós mesmos nos ouvimos. Ouça o som da sua voz, o peso com que descreve cada situação, com que faz cada pergunta. Ouça os outros também, hoje existe tempo pra tudo. Olhe nos olhos quando falar e quando ouvir. Guarde esses olhos na memória, sejam eles de quem forem. Guarde o maior número de olhares que conseguir, nesse seu começo de vida. Você vai precisar deles amanhã, quando o caminho parecer sombrio. Vai precisar de olhos pra te guiar, muito mais do que de palavras.
Palavras. Jogue palavras ao vento, mas não faça isso levianamente. Jogue com cuidado para não quebrar, para o vento não levá-las com força e para não machucarem ninguém. Solte sussurros, eles voam com mais facilidade e assim chegam mais rápido. Assopre as palavras pelo ar como bolhas de sabão, como folhas secas dançando ao vento. Como primeiro dia de todo o resto, você vai querer ser rapidamente lembrado pelo que diz e faz, mas não se apresse: Se você fizer tudo do seu modo, no seu tempo, será recordado da melhor maneira. Talvez não por todos, mas por aqueles que realmente importam, aqueles que você ama e pelos quais realmente vive.
Enfim. De qualquer maneira, hoje é o primeiro dia do resto da sua vida. Mesmo que você não o encare como tal. Hoje é sempre o começo, porque amanhã pode nem existir. A possibilidade de inexistência do amanhã não deve portanto o fazer encarar hoje como um possível fim. Porque se você ainda o tem pra tentar, tem então preciosas horas pela frente. A vida é preciosa demais pra se acreditar nos anos que vêm, temos que dar valor a ela agora. Sendo assim, diga, veja, ouça, sinta, pergunte, responda, corra, grite, sorria, faça alguém sorrir, olhe pra alguém, entenda alguém, conforte. Viva com o gosto e a felicidade de quem come o primeiro bolinho de chuva, e não se importa de queimar a língua, porque sabe que o prazer vai compensar a dor, sempre.
domingo, 12 de julho de 2009
Sentimental
"Quem é mais sentimental que eu?"
Sentimental - Los Hermanos
Sou sentimental pra dentro. A dificuldade de colocar pra fora é magoante.
Pra mim e pros outros.
Sentimental - Los Hermanos
Sou sentimental pra dentro. A dificuldade de colocar pra fora é magoante.
Pra mim e pros outros.
domingo, 21 de junho de 2009
Eu não me iludo, e isso me faz feliz. Sei dividir bem todas as coisas, e conviver com tudo numa boa. Eu não sinto mais aquele ciúme obsessivo de todo mundo. Acho que minha auto-estima cresceu tanto ultimamente, e tenho que admitir que o medo da solidão e a vontade de que todo mundo fosse somente MEU eram mesmo resultado de uma insegurança sem tamanho.
Hoje em dia eu faço amigos, e apresento eles todos. Quero todo mundo junto, se falando, se conhecendo. Quero que a rede cresça e que todos sejam felizes. Burrice minha achar que apresentar todos ia fazer com que se juntassem e conspirassem contra mim. Na verdade era bem infantil achar que iam começar a sair sem mim e nunca mais me chamar pra nada. Hoje em dia me sinto até envergonhada de algum dia ter pensado uma coisa dessas.
Talvez crescer seja assim mesmo. Deixar esse tipo de bobagem pra trás. Ir em frente e reconhecer seus medos e erros, pois só os reconhecendo se é capaz de mudar e partir pra outra. Sei que ainda tenho muita coisa pela frente, e muito a aprender, mas por enquanto me sinto feliz de ter reconhecido mais uma atitude errada. Só me faz sentir melhor.
=)
Hoje em dia eu faço amigos, e apresento eles todos. Quero todo mundo junto, se falando, se conhecendo. Quero que a rede cresça e que todos sejam felizes. Burrice minha achar que apresentar todos ia fazer com que se juntassem e conspirassem contra mim. Na verdade era bem infantil achar que iam começar a sair sem mim e nunca mais me chamar pra nada. Hoje em dia me sinto até envergonhada de algum dia ter pensado uma coisa dessas.
Talvez crescer seja assim mesmo. Deixar esse tipo de bobagem pra trás. Ir em frente e reconhecer seus medos e erros, pois só os reconhecendo se é capaz de mudar e partir pra outra. Sei que ainda tenho muita coisa pela frente, e muito a aprender, mas por enquanto me sinto feliz de ter reconhecido mais uma atitude errada. Só me faz sentir melhor.
=)
terça-feira, 2 de junho de 2009
Gente comum
Eu tenho medo de gente comum. Aquelas pessoas que vão sempre te falar pra seguir o protocolo e se tornar tão banal quanto elas. Gente que acha sempre que estabilidade é a base da vida, e que qualquer coisa fora disso só pode resultar em infelicidade e fracasso. Gente que acha que deve estudar algo normal, comer coisas normais, ir a lugares normais, e que não dá a oportunidade ao novo, ao diferente.
Talvez medo não seja bem a palavra. Eu tenho pena. Pena de gente que nunca vai saber como é arriscar, mudar, seguir o que quer. Gente que nunca vai sair daquele mundinho fechado onde vive. Pessoas para as quais o diferente é estranho e ruim. Pessoas que dão risadinhas dos outros na rua, olham com desdém e comentam sem dó. Gente que se acha tão boa e perfeita, que acredita que qualquer coisa minimamente diferente dela é ruim.
Blah.
Talvez medo não seja bem a palavra. Eu tenho pena. Pena de gente que nunca vai saber como é arriscar, mudar, seguir o que quer. Gente que nunca vai sair daquele mundinho fechado onde vive. Pessoas para as quais o diferente é estranho e ruim. Pessoas que dão risadinhas dos outros na rua, olham com desdém e comentam sem dó. Gente que se acha tão boa e perfeita, que acredita que qualquer coisa minimamente diferente dela é ruim.
Blah.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Eu talvez não goste tanto de coisas relâmpago quanto achei que gostava. Acho que gosto mais delas calmas, de tudo andando devagar e sem violência.
Porque tudo que vem violentamente, se vai com a mesma violência e rapidez, daí os sentimentos e sensações desfalecem na nossa frente, se desfazem em bolhas no ar, e em segundos você nem lembra mais o que sentia.
Passei um tempo achando que eu gostava de tudo assim, desesperado. Que eu gostava da afobação, do caos. Mas viver o caos por algum tempo me fez ver o quanto me destrói, o quanto me desmonta, me deixa esperando. Quando se vive devagar se vai levando, e cada dia é uma surpresa. Bem melhor assim.
Porque tudo que vem violentamente, se vai com a mesma violência e rapidez, daí os sentimentos e sensações desfalecem na nossa frente, se desfazem em bolhas no ar, e em segundos você nem lembra mais o que sentia.
Passei um tempo achando que eu gostava de tudo assim, desesperado. Que eu gostava da afobação, do caos. Mas viver o caos por algum tempo me fez ver o quanto me destrói, o quanto me desmonta, me deixa esperando. Quando se vive devagar se vai levando, e cada dia é uma surpresa. Bem melhor assim.
É bom saber que dá e passa. Aquela sensação de algumas semanas atrás desapareceu completamente, quando percebi o quão idiota ele era. Bom assim, melhor até. Porque desde o início eu sabia que, além dele não ser o que eu pensava, era bem menos do que deveria como pessoa. Isso me alivia, porque sendo assim foi muito fácil esquecer.
Apenas mais um grão de areia na minha praia. É difícil alguém ser uma onda. Difícil alguém chegar e mudar alguma coisa, algum sentimento. Talvez eu tenha um coração de pedra, ou talvez ame demais as coisas todas. Porque só extremos explicariam a minha facilidade de apego e desapego. Não é um apego desesperado, é um apego calmo. É a sensação de conhecer a pessoa a anos na segunda vez que a vejo. A leveza de ser eu mesma na frente dela, sem pensar no que ela vai pensar de mim. Mas na mesma proporção, quando algo dá errado, vem o desapego, a vontade de nunca mais querer ver.
Acho que sou extremista demais, e isso não é bom. Ao menos não todo o tempo (alguma coisa é boa o tempo todo?).
Apenas mais um grão de areia na minha praia. É difícil alguém ser uma onda. Difícil alguém chegar e mudar alguma coisa, algum sentimento. Talvez eu tenha um coração de pedra, ou talvez ame demais as coisas todas. Porque só extremos explicariam a minha facilidade de apego e desapego. Não é um apego desesperado, é um apego calmo. É a sensação de conhecer a pessoa a anos na segunda vez que a vejo. A leveza de ser eu mesma na frente dela, sem pensar no que ela vai pensar de mim. Mas na mesma proporção, quando algo dá errado, vem o desapego, a vontade de nunca mais querer ver.
Acho que sou extremista demais, e isso não é bom. Ao menos não todo o tempo (alguma coisa é boa o tempo todo?).
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