Ela me mata. Me faz acordar com falta de ar, tira meu sono, me enlouquece.
Ela fecha minha garganta, me sufoca, me enrubesce.
Ela me acompanha aonde eu for, martelando na minha cabeça, na minha face, no meu corpo.
Ela me odeia, mas não me deixa. Insiste comigo num jogo de ódio e raiva, me deixa tonta, me faz passar mal.
Ela quer mais que eu exploda.
Alergia, saia já de mim!
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Parto literário.
E se eu demorar e responder que escrevi mais um, paciência.
Estou parindo, não atrapalhe.
Estou parindo, não atrapalhe.
Medo.
Me sinto elétrica na madrugada. Roendo as unhas até sangrarem, olhando as formigas levando as migalhas embora da escrivaninha. Eu sou feliz assim. Os olhos vidrados na tela, o cabelo intocavelmente penteado, os dedos sangrando e a bunda dormente. Eu sou feliz assim até acordar com sono no dia seguinte, e levar adiante essa rotina maluca de internauta viciada.
Vício. Tem gente viciada em tudo nesse mundo. Eu sou viciada em internet e medo. Viciada em Ets e eu vou acender a luz porque bateu um medo de abdução agora.
fui.
Voltei. Tenho medo de escuro também. Estou me tornando angustiante com o passar do tempo. Angustiante e angustiada. Pânico, acho que é esse o nome. Eu sinto medo de tudo, menos de estar na rua. Se eu estivesse na rua agora com dois ou três amigos, mesmo no meio do tiroteio eu não estaria com medo. Mas o silêncio me traz medo. O silêncio, o escuro, as unhas roídas e o cabelo penteado. Me trazem a impressão de estar presa. Como se a realidade não fosse aqui, e isso assusta.
Acho que estou viajando porque está tarde.
Essa hora do blogger está louca. são exatamente 2 horas da manhã.
Vício. Tem gente viciada em tudo nesse mundo. Eu sou viciada em internet e medo. Viciada em Ets e eu vou acender a luz porque bateu um medo de abdução agora.
fui.
Voltei. Tenho medo de escuro também. Estou me tornando angustiante com o passar do tempo. Angustiante e angustiada. Pânico, acho que é esse o nome. Eu sinto medo de tudo, menos de estar na rua. Se eu estivesse na rua agora com dois ou três amigos, mesmo no meio do tiroteio eu não estaria com medo. Mas o silêncio me traz medo. O silêncio, o escuro, as unhas roídas e o cabelo penteado. Me trazem a impressão de estar presa. Como se a realidade não fosse aqui, e isso assusta.
Acho que estou viajando porque está tarde.
Essa hora do blogger está louca. são exatamente 2 horas da manhã.
Circo.
Odeio muito quando tudo fica leve e frouxo. Gosto da vida em festa, em euforia, em êxtase. Gosto dos exageros em tudo, das risadas, escândalos, beijos roubados, poesia, arte, comida, dança, tudo em demasia.
Acho que faço da minha vida um circo. Com picadeiro, com leão, com bailarina. A vida é a festa colorida, mas a platéia é a inveja alheia espionando. E eu me preocupo com a platéia, e quero mais que eles se divirtam no meu circo.
Deve ser por isso que no final sou sempre a palhaça.
Acho que faço da minha vida um circo. Com picadeiro, com leão, com bailarina. A vida é a festa colorida, mas a platéia é a inveja alheia espionando. E eu me preocupo com a platéia, e quero mais que eles se divirtam no meu circo.
Deve ser por isso que no final sou sempre a palhaça.
que infâme.
Adoro aquele trocadilho idiota, que brinca assim:
Ela era uma puta escritora.
Puta, escritora?
ou puta escritora?
ela era uma puta?
uma escritora?
uma escritora puta?
uma puta escritora?
puta merda
que enrolação!
ela era uma exímia escritora.
pronto, falei.
Mas ela não era uma puta?
sim, uma puta escritora.
Mas assim, daquelas que dão pra todo mundo porque querem?
ou só pagando?
Ok. eu desisto.
Ela era uma puta escritora.
Puta, escritora?
ou puta escritora?
ela era uma puta?
uma escritora?
uma escritora puta?
uma puta escritora?
puta merda
que enrolação!
ela era uma exímia escritora.
pronto, falei.
Mas ela não era uma puta?
sim, uma puta escritora.
Mas assim, daquelas que dão pra todo mundo porque querem?
ou só pagando?
Ok. eu desisto.
Intermitente.
Intermitente é uma das minhas palavras favoritas.
Me lembra interminável, incessante, louco. Me lembra neurose e impaciência.
Me lembra ódio também.
In-ter-mi-ten-te
in-ter
mi
tente
em ter-me.
me tente.
in-ter-mi-ten-te
tente
intermi-nável
pra sempre
e sempre
ter
me tente
Me lembra interminável, incessante, louco. Me lembra neurose e impaciência.
Me lembra ódio também.
In-ter-mi-ten-te
in-ter
mi
tente
em ter-me.
me tente.
in-ter-mi-ten-te
tente
intermi-nável
pra sempre
e sempre
ter
me tente
Te[n]são
Estava ela sentada quando ele entrou no mesmo ônibus. Todos os bancos vazios, mas ele sentou no que ficava exatamente à sua frente. os fones pendurados no pescoço, uns óculos quadrados e um rosto engraçado. Sentou-se, encostou-se, mexeu-se, virou-se, parou. Ela atrás, a perna apertada, os joelhos encostavam nas costas e quanto mais se mexia, mais parecia bater.
Meia hora, quarenta minutos. Que vontade louca de dar uma joelhada, de pedir desculpas, de perguntar o que ouvia. Dez minutos. Que vontade de dar um tabefe na cabeça e mandar ficar quieto, pois já machucava os joelhos. Um minuto. O joelho batia e mexia como quem massageava, e visto que aquele não se mexia, parecia gostar.
Segundos, longos e tenebrosos de tensão e de prazer. Prazer idiota e banal, prazer não compartilhado e...prazeroso? Centésimos. De joelhos, costas, porradas, batidas, mexidas, impaciência. O prazer em irritar o indivíduo da frente. Que prazer mais mórbido.
Lá pelas tantas, fossem minutos ou horas, levantou-se. Ele. Ela se ajeitou e ficou olhando fixamente, esperando ele olhar pra trás. Olhou. Ela fez a cara mais safada do mundo, e olhou pra janela, mastigou o chiclete e riu. Ele também. Saiu do ônibus pra nunca mais.
Esses segundos compartilhados de insanidade nos meios de transporte público me deixam maluca. No sentido literal da coisa.
Meia hora, quarenta minutos. Que vontade louca de dar uma joelhada, de pedir desculpas, de perguntar o que ouvia. Dez minutos. Que vontade de dar um tabefe na cabeça e mandar ficar quieto, pois já machucava os joelhos. Um minuto. O joelho batia e mexia como quem massageava, e visto que aquele não se mexia, parecia gostar.
Segundos, longos e tenebrosos de tensão e de prazer. Prazer idiota e banal, prazer não compartilhado e...prazeroso? Centésimos. De joelhos, costas, porradas, batidas, mexidas, impaciência. O prazer em irritar o indivíduo da frente. Que prazer mais mórbido.
Lá pelas tantas, fossem minutos ou horas, levantou-se. Ele. Ela se ajeitou e ficou olhando fixamente, esperando ele olhar pra trás. Olhou. Ela fez a cara mais safada do mundo, e olhou pra janela, mastigou o chiclete e riu. Ele também. Saiu do ônibus pra nunca mais.
Esses segundos compartilhados de insanidade nos meios de transporte público me deixam maluca. No sentido literal da coisa.
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