Adoro aquele trocadilho idiota, que brinca assim:
Ela era uma puta escritora.
Puta, escritora?
ou puta escritora?
ela era uma puta?
uma escritora?
uma escritora puta?
uma puta escritora?
puta merda
que enrolação!
ela era uma exímia escritora.
pronto, falei.
Mas ela não era uma puta?
sim, uma puta escritora.
Mas assim, daquelas que dão pra todo mundo porque querem?
ou só pagando?
Ok. eu desisto.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Intermitente.
Intermitente é uma das minhas palavras favoritas.
Me lembra interminável, incessante, louco. Me lembra neurose e impaciência.
Me lembra ódio também.
In-ter-mi-ten-te
in-ter
mi
tente
em ter-me.
me tente.
in-ter-mi-ten-te
tente
intermi-nável
pra sempre
e sempre
ter
me tente
Me lembra interminável, incessante, louco. Me lembra neurose e impaciência.
Me lembra ódio também.
In-ter-mi-ten-te
in-ter
mi
tente
em ter-me.
me tente.
in-ter-mi-ten-te
tente
intermi-nável
pra sempre
e sempre
ter
me tente
Te[n]são
Estava ela sentada quando ele entrou no mesmo ônibus. Todos os bancos vazios, mas ele sentou no que ficava exatamente à sua frente. os fones pendurados no pescoço, uns óculos quadrados e um rosto engraçado. Sentou-se, encostou-se, mexeu-se, virou-se, parou. Ela atrás, a perna apertada, os joelhos encostavam nas costas e quanto mais se mexia, mais parecia bater.
Meia hora, quarenta minutos. Que vontade louca de dar uma joelhada, de pedir desculpas, de perguntar o que ouvia. Dez minutos. Que vontade de dar um tabefe na cabeça e mandar ficar quieto, pois já machucava os joelhos. Um minuto. O joelho batia e mexia como quem massageava, e visto que aquele não se mexia, parecia gostar.
Segundos, longos e tenebrosos de tensão e de prazer. Prazer idiota e banal, prazer não compartilhado e...prazeroso? Centésimos. De joelhos, costas, porradas, batidas, mexidas, impaciência. O prazer em irritar o indivíduo da frente. Que prazer mais mórbido.
Lá pelas tantas, fossem minutos ou horas, levantou-se. Ele. Ela se ajeitou e ficou olhando fixamente, esperando ele olhar pra trás. Olhou. Ela fez a cara mais safada do mundo, e olhou pra janela, mastigou o chiclete e riu. Ele também. Saiu do ônibus pra nunca mais.
Esses segundos compartilhados de insanidade nos meios de transporte público me deixam maluca. No sentido literal da coisa.
Meia hora, quarenta minutos. Que vontade louca de dar uma joelhada, de pedir desculpas, de perguntar o que ouvia. Dez minutos. Que vontade de dar um tabefe na cabeça e mandar ficar quieto, pois já machucava os joelhos. Um minuto. O joelho batia e mexia como quem massageava, e visto que aquele não se mexia, parecia gostar.
Segundos, longos e tenebrosos de tensão e de prazer. Prazer idiota e banal, prazer não compartilhado e...prazeroso? Centésimos. De joelhos, costas, porradas, batidas, mexidas, impaciência. O prazer em irritar o indivíduo da frente. Que prazer mais mórbido.
Lá pelas tantas, fossem minutos ou horas, levantou-se. Ele. Ela se ajeitou e ficou olhando fixamente, esperando ele olhar pra trás. Olhou. Ela fez a cara mais safada do mundo, e olhou pra janela, mastigou o chiclete e riu. Ele também. Saiu do ônibus pra nunca mais.
Esses segundos compartilhados de insanidade nos meios de transporte público me deixam maluca. No sentido literal da coisa.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Eu olho os livros, eles me olham. Preciso estudar. Preciso mesmo, não quero viver mais assim, desperdiçando potencial.
É assim que me sinto em 90% do tempo: me desperdiçando. Eu desenho bem, escrevo bem, falo bem. E no entanto, não desenvolvo ao máximo nenhuma das capacidades. Fico sendo apenas boa nelas todas, sem ser ótima em nenhuma.
Acho que sou a preguiça em forma de gente. Queria fazer teatro, pintura, falar Francês e dançar de par. Queria tanta coisa, e fico vivendo a mesma vida, sem grandes diferenças.
Não, essa não é a hora em que eu falo "mas hoje vai ser diferente..", dou tchau e termino não começando nada. Essa hora não vai chegar. Mas a propósito, vou lá fazer um trabalho, só pra não perder o costume.
Acho que é essa falta de rotina que me mata.
É assim que me sinto em 90% do tempo: me desperdiçando. Eu desenho bem, escrevo bem, falo bem. E no entanto, não desenvolvo ao máximo nenhuma das capacidades. Fico sendo apenas boa nelas todas, sem ser ótima em nenhuma.
Acho que sou a preguiça em forma de gente. Queria fazer teatro, pintura, falar Francês e dançar de par. Queria tanta coisa, e fico vivendo a mesma vida, sem grandes diferenças.
Não, essa não é a hora em que eu falo "mas hoje vai ser diferente..", dou tchau e termino não começando nada. Essa hora não vai chegar. Mas a propósito, vou lá fazer um trabalho, só pra não perder o costume.
Acho que é essa falta de rotina que me mata.
domingo, 25 de maio de 2008
Sem finais.
Imagina, ela não ir a Montauk naquele dia. Ela não foi ganhar as ruas porque pegou uma gripe e nunca será Uma linda mulher. Ele tomou a pílula vermelha, e em qualquer outro tempo, em outro canto do País, ela não trocou de casa com outra, e nunca irá pro Reino Unido.
Pense só se eles nunca fossem procurar o corpo do menino que morreu. Se ele não voltasse pra vingar a morte da namorada, acompanhado de um pássaro. Se ela não tivesse medo de avião, ou nunca entrasse na internet. Se ele não gostasse de menininhas e se ela não entrasse naquele navio.
É. Realmente é uma viagem pensar nisso.
Pense só se eles nunca fossem procurar o corpo do menino que morreu. Se ele não voltasse pra vingar a morte da namorada, acompanhado de um pássaro. Se ela não tivesse medo de avião, ou nunca entrasse na internet. Se ele não gostasse de menininhas e se ela não entrasse naquele navio.
É. Realmente é uma viagem pensar nisso.
domingo, 27 de abril de 2008
Pessoa
(Dalto/Cláudio Rabello)
Olhar você
E não saber
Que você é a pessoa
Mais linda do mundo
E eu queria alguém
Lá no fundo do coração
Ganhar você
E não querer
É porque eu não quero
Que nada aconteça
Deve ser porque eu não ando bem da cabeça
Ou eu já cansei de acreditar
O meu medo é uma coisa assim
Que corre por fora
Entra, vai e volta sem sair
Não
Não tente me fazer feliz
Eu sei que o amor é bom demais
Mas dói demais sentir...
Você
E não querer
É porque eu não quero que nada aconteça
Deve ser porque
Eu não ando bem da cabeça
Ou eu já cansei de acreditar
Ou eu já dancei...
O meu medo é uma coisa assim
Que corre por fora
Entra, vai e volta sem sair
Não
Não tente me fazer feliz
Eu sei que o amor é bom demais
Mas dói demais sentir...
Olhar você
E não saber
Que você é a pessoa
Mais linda do mundo
E eu queria alguém
Lá no fundo do coração
Ganhar você
E não querer
É porque eu não quero
Que nada aconteça
Deve ser porque eu não ando bem da cabeça
Ou eu já cansei de acreditar
O meu medo é uma coisa assim
Que corre por fora
Entra, vai e volta sem sair
Não
Não tente me fazer feliz
Eu sei que o amor é bom demais
Mas dói demais sentir...
Você
E não querer
É porque eu não quero que nada aconteça
Deve ser porque
Eu não ando bem da cabeça
Ou eu já cansei de acreditar
Ou eu já dancei...
O meu medo é uma coisa assim
Que corre por fora
Entra, vai e volta sem sair
Não
Não tente me fazer feliz
Eu sei que o amor é bom demais
Mas dói demais sentir...
sábado, 5 de abril de 2008
I'm back...
Acho que estou com um bloqueio criativo.
Odeio gente que reclama de tudo. Odeio. Gente que vive por ai choramingado, e fazendo passar que a vida é um martírio. Acho chato quando as pessoas não conseguem formar uma frase completa que não envolva drama.
Odeio cobrança. Odeio quando me cobram coisas que eu não sou obrigada a fazer, como se eu tivesse o dever de seguir o que me pedem, como se a vida fosse só cobrança, só pagamento.
Sou a favor de um movimento por pessoas mais leves. Não digo leves de peso, mas leves de consciência, leves desse peso chato que certos serumanos carregam, que os faz ficarem quase insuportáveis. Sou a favor de relacionamentos mais leves, mais maleáveis. E não digo apenas relacionamentos amorosos, falo de amizades, de animais de estimação, de tudo. Quero que a cobrança exploda e suma da face da terra pra sempre.
Droga, acho que estou num momento de crise. Mas realmente me irrita ser cobrada. Qualquer coisa que se torne uma obrigação me irrita. Muito.
Odeio gente que reclama de tudo. Odeio. Gente que vive por ai choramingado, e fazendo passar que a vida é um martírio. Acho chato quando as pessoas não conseguem formar uma frase completa que não envolva drama.
Odeio cobrança. Odeio quando me cobram coisas que eu não sou obrigada a fazer, como se eu tivesse o dever de seguir o que me pedem, como se a vida fosse só cobrança, só pagamento.
Sou a favor de um movimento por pessoas mais leves. Não digo leves de peso, mas leves de consciência, leves desse peso chato que certos serumanos carregam, que os faz ficarem quase insuportáveis. Sou a favor de relacionamentos mais leves, mais maleáveis. E não digo apenas relacionamentos amorosos, falo de amizades, de animais de estimação, de tudo. Quero que a cobrança exploda e suma da face da terra pra sempre.
Droga, acho que estou num momento de crise. Mas realmente me irrita ser cobrada. Qualquer coisa que se torne uma obrigação me irrita. Muito.
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